São Paulo, 19 (AE) - Não é grande a tradição do cinema brasileiro no gênero policial. Em todo caso, "O Dia da Caça" (amanhã (20), às 13h45 no Grande Auditório do Masp), segundo longa-metragem de Alberto Graça, é uma boa atração. Que não seja por outros motivos, pelo menos pela relativa raridade com que o tipo de história é abordado pelo cinema nacional.
Na trama, Nando (Marcello Antony) é um ex-traficante de drogas, obrigado a voltar à ativa por seus antigos chefes. Junta-se a um velho amigo, Vander (Paulo Vespúcio), e os dois vão buscar 30 quilos de cocaína na fronteira do Brasil com a Colômbia. A história inclui alguns elementos e personagens interessantes.
Há, por exemplo, a garota francesa, amante de um traficante. São eles que estão esperando a droga em Manaus, para passá-la para Brasília. Mas, no meio do caminho, encontram as intercorrências de sempre: traição dos parceiros, a interferência de policiais corruptos, etc. Some-se aos personagens interessantes um trabalho fotográfico muito bem feito, com locações pelo interior do Brasil, e um agudo sentido de atmosfera. O filme tem clima.
Graça trabalha com tipos bem desenhados, como é o caso do protagonista, Nando, mas também de Vander, seu amigo homossexual e sádico. Muito da boa composição desse personagem se deve ao talento de Paulo Vespúcio, ator de recursos e empenho. As pessoas que acompanham o cinema brasileiro conhecem seu trabalho: ele é o operário desempregado no ótimo "Um Céu de Estrelas", de Tata Amaral. Jonas Bloch mostra que é possível interpretar um policial corrupto, sem cair na caricatura.
Essa soma de elementos favoráveis infelizmente não faz de "O Dia da Caça" um bom filme. No caso, o que parece ter saído errado foi o corte final do roteiro. A história, potencialmente interessante, perde-se por falta de rumo. Não existe nela essa construção tensa, progressiva, apertada, que prende o espectador na cadeira. Também não procura ir além das convenções de gênero. O drama humano nele colocado parece rarefeito. A preocupação social também vem em doses homeopáticas - quando vem.
Enfim, "O Dia da Caça" parece aquele tipo de filme comercial, produzido com capricho e destinado ao grande público. Quer dizer, não ousa colocar exigências demais para um espectador tido como médio. Talvez por isso, no final, pareça tão insatisfatório. Quando se busca o espectador médio, não se busca ninguém, afinal de contas.

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