A partida é da capital paraense. Depois da jornada de cerca de três horas na barca, chega-se à ilha que fica na foz do Rio Amazonas, onde se encontram as águas dos rios Pará, Tocantins, Xingu e Amazonas. Logo que se desembarca em Marajó, um carro já aguarda os visitantes para levá-los, na maioria das vezes, às cidades de Soure ou Salvaterra. É em torno delas que fica o lado mais turístico da ilha. O caminho até as duas, porém, é uma boa amostra de que se está num lugar bastante peculiar.
Das janelas das casinhas dá para ver as redes do lado de dentro. Principalmente por causa do calor, a maior parte das pessoas da zona rural troca a cama por elas.
Do lado de fora, as crianças marajoaras (nativas) sempre acenam quando passa um carro. De pele morena, algumas ainda preservam feições indígenas. Não restou, porém, nenhuma tribo das que povoavam a região. Dos 250 mil habitantes de Marajó, a maioria traz também a influência dos negros escravos que vieram com os colonizadores portugueses.
Em Salvaterra, muitos dos visitantes ficam na Pousada dos Guarás, por ser a que tem melhor infra-estrutura. De frente para a Praia Grande (de água doce), há chalés com ar-condicionado e piscina e animais (três araras e um tuiuiu) soltos na área verde.
Uma volta pelas ruas da cidade mostra a simplicidade e a simpatia dos nativos. Búfalos nas ruas, muitas vezes usados como meio de transporte, algumas ruas sem asfalto, casinhas simples e comércio resumido a mercearias – muitas vezes o dono perde o controle quando entram muitos turistas juntos.
Para ir de lá a Soure deve-se atravessar o rio de balsa. Além de curtir as praias na pequena cidade, como Araruna e Pesqueiro, lá o turista costuma parar nas rústicas lojas de artesanato de couro de búfalo. Talvez pelo preço baixo, é raro ver alguém sair de mãos vazias. Mas, da famosa cerâmica marajoara, uma tradição que começou em torno de 980 a.C., há apenas pequenas amostras (para comprar e ver a produção, hoje, o melhor local é Icoaraci, na Grande Belém). Um passeio de barco é indispensável. Principalmente se a maré ajudar – sim, é rio, mas o mar, a quilômetros de distância, influencia naquelas águas –, peça para entrar nos igarapés. Não é difícil ver bandos de guarás por ali.
Longe de badalação noturna, em Marajó a noite é para conhecer o folclore local. O carimbó, frequentemente dançado nas salas das casas, é exibido em apresentações para turistas. E já começa com a participação do público. As meninas e os meninos estão a postos. Num canto ficam seis garotos com tambores, chocalhos e um ‘‘puxador’’ com o microfone. As danças são inspiradas nas lendas locais e ele é encarregado de narrá-la, antes de começar o show. Uma dança que prende a atenção da platéia é a do boto. O animal se transforma num cavalheiro e começa a seduzir as ‘‘cunhantãs formosas’’.

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