Roteiro de carro ou ônibus em Minas Gerais
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Dinho Luiz<br> Agência Estado 
São Paulo - A pouco mais de duas semanas para o feriadão de 12 de outubro, está mais do que na hora de programar sua folga, para evitar imprevistos. Também por isso, sugerimos roteiros no Brasil que podem ser feitos de carro ou de ônibus. Ou seja, só vai enfrentar a total imprevisibilidade dos aeroportos nacionais quem quiser.
Há roteiros completos para os três dias de folga, por exemplo, em Minas Gerais. Além de ótimas opções de passeio e de terem uma incrível variedade de atrações, as cidades próximas a Belo Horizonte não ficam assim tão distantes.
Cidades históricas de Minas Gerais
Os poucos dias de folga e o medo de encarar horas de espera, indecisão e, o pior, falta de informação nos aeroportos fizeram a arquiteta Fany Suely Guaraná, 51 anos, e seu enteado, o músico Yan Echeverria, 27, caírem nas graças de um pacote rodoviário. ''Sempre viajei de avião, mas fiquei apavorada com os últimos acidentes e as constantes esperas nos aeroportos. Não quis perder tempo e optei pelo ônibus'', conta Fany.
Munida de uma latinha de cerveja, ela embarcou, há duas semanas, na companhia da reportagem e de outros 35 passageiros, além da guia, no Terminal Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, rumo às Cidades Históricas de Minas Gerais - esta saída foi de São Paulo, mas quem quiser comprar um pacote rodoviário é só procurar uma agência de viagens em qualquer cidade do Paraná.
Pontualmente às 22 horas, um pomposo ônibus equipado com confortáveis poltronas leito turismo, três TVs (com filmes em DVD) e ar-condicionado estacionava na plataforma turística do terminal para apanhar os turistas e levá-los para cinco divertidos dias por Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana, Congonhas do Campo, São João del Rey e Tiradentes.
Após uma noite mal dormida, sacolejando por 586 quilômetros - cumpridos em oito horas - e duas paradas (na ida e na volta) em lojas de conveniência nas cidades de Camanducaia e Perdões para o tradicional café com pão de queijo (que não estão incluídos no pacote), o grupo desembarcou em Belo Horizonte, base dos passeios.
Na excursão havia casais da terceira idade, mãe com filho na faixa dos 20 e poucos anos, oito viajantes desacompanhados e seis turistas estrangeiros, como a alemã Carina Sonne, 31, que escolheu o passeio pela segurança. ''Viajar em grupo é mais seguro, também há maior integração entre as pessoas. Estou surpresa por encontrar tantos jovens'', diz.
Tour paronâmico
No primeiro dia, o grupo participou de um city tour panorâmico por Belo Horizonte, com rápidas paradas (de cerca de 30 minutos) na Igreja São Francisco de Assis (ou Igreja da Pampulha; entradas a R$ 2) - projetada por Oscar Niemeyer e decorada com 14 quadros de Cândido Portinari - e para o almoço num restaurante especializado em cozinha mineira. No caminho, o guia organizou brincadeiras, contou a história da cidade, mostrou os lugares pitorescos, mas não incluiu no roteiro uma visita ao Mercado Municipal, local perfeito para comprar queijos, doces e cachaças com precinho camarada.
À tarde, de volta ao ônibus para mais 83 quilômetros até Congonhas do Campo para apreciar a Basílica de Bom Jesus de Matosinho (entradas a R$ 2). Lá estão 84 obras de Aleijadinho, com destaque para os 12 profetas feitos de pedra-sabão. Ali, os turistas precisavam da agilidade para ouvir as explicações do guia, fotografar as obras e bater perna pelas lojas de artesanato que circundam a Basílica.
A partir do segundo dia, percebe-se que um pacote turístico requer paciência, disciplina e fôlego de atleta. Às 7 horas da matina, com passageiros sonolentos, o ônibus parte rumo às cidades vizinhas de Belo Horizonte, onde igrejas do período barroco são a principal atração. Esteja equipado com roupas leves e tênis confortável para visitar nove igrejas, em sete cidades, subindo e descendo ladeiras íngremes com piso repleto de pedras.
Entre as atrações religiosas, vale a visita à Igreja da Sé (ingressos a R$ 2), em Mariana, onde o passeio seria mais proveitoso se os guias disponibilizassem um tempo hábil para admirar as telas, os altares com detalhes de ouro e o órgão ARP Schintger, de 1701, que ainda está em funcionamento, com concertos às sextas, às 11 horas, e aos domingos, às 12h15.
Outro templo que merece atenção é a Igreja São Francisco de Assis (entradas a R$ 2,50), em Ouro Preto, a primeira projetada por Aleijadinho (1730-1814), com oito altares laterais talhados no estilo rococó. Repare nos dois púlpitos esculpidos pelo artista em pedra-sabão, datados de 1771. Na sacristia está instalado o Museu do Aleijadinho, com peças fabricadas pelo escultor.
Além das igrejas, merecem destaque as visitas às grutas Rei do Mato (entradas a R$ 4), em Sete Lagoas, e a do Maquiné (R$ 12), a maior de Minas Gerais, localizada em Cordisburgo, cidade do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967). Em Maquiné, você caminha por 440 metros em piso rochoso, passando por estalactites que formam figuras espetaculares. Durante o passeio, tente contar quantas vezes o guia diz a frase ''show da natureza.'' Clichê e engraçado...
Esse tipo de pacote é perfeito para quem quer conhecer, em curtíssimo tempo, o maior número de cidades, no ritmo dos maratonistas. Não é possível se ater a detalhes, uma pena, especialmente em cidades charmosas como Ouro Preto e Tiradentes, que deixam um gostinho de ''quero mais''.
O que é imperdível no passeio
- Belo Horizonte - Fundada na década de 40, a Igreja São Francisco de Assis fica na Lagoa da Pampulha e tornou-se cartão-postal da capital mineira.
- Congonhas do Campo - A Basílica de Bom Jesus de Matosinhos é referência do barroco mineiro e Patrimônio Cultural da Humanidade.
- Ouro Preto - A Igreja São Francisco de Assis começou a ser construída em 1765 e foi restaurada em 2001.
- Cordisburgo - Na Gruta do Maquiné é possível ver pedras que lembram animais e até o cogumelo da bomba atômica.


