Los Angeles - ‘‘Nesta esquina havia uma placa, mas ela foi derrubada por Lindsay Lohan em seu último acidente dirigindo bêbada.’’ A essa altura da explicação da guia você começa a sentir que os US$ 29 talvez não tenham valido a pena. ‘‘Prestem atenção’’, ela continua. Mais uma chance. ‘‘Vamos cruzar uma rua. Olhem bem para o final dela, à direita. Ali está uma igreja, na qual Elizabeth Taylor se casou com seu quinto marido.’’ Será que vai demorar muito ainda?
  Do começo. Na frente do Grauman Chinese Theatre, a vendedora chama: ‘‘Quer conhecer a casa dos artistas? Tom e Katie? Angelina? Ônibus com ar-condicionado, guia experiente, apenas US$ 29.’’ Por que não? O passeio dura pouco mais de duas horas. Pode ser divertido.
  No ônibus, um grupo de jovens tailandesas, um casal francês e outro da Carolina do Norte – Jack e Elizabeth, que se divertem respondendo às perguntas da guia, Kate. Primeira vez em Los Angeles para todos.
  A parada inicial é um restaurante japonês no alto da montanha. A turma desce, fotografa – bom lugar para clicar o painel ‘‘Hollywood’’. A propósito: o restaurante já foi usado como cenário de filmes de artistas como Jackie Chan (que a turma do cinema não leia isso, mas foi o único nome que reconheci entre tantos pronunciados por Kate).
  Descemos a montanha. E começa o passeio pelas casas dos artistas. A primeira é a de Alfred Molina... É o vilão do Homem-Aranha, aquele que parece um polvo, lembra? Em seguida, um prédio em que metade do elenco de Friends vivia – não dá tempo de dizer quais, Kate faz a curva, chegamos à igreja em que se deu o primeiro casamento de Elizabeth Taylor. ‘‘Vocês sabem o nome dos maridos dela?’’ ‘‘Conrad Hilton, Michael Wilding, Mike Todd...’’, começa Elizabeth. Não sei o que é mais estranho: ela saber de cor a lista ou comemorar quando Kate confirma a resposta.
  Enfim... não há tempo e logo outra igreja, mais um marido. Lá pelo quarto casamento, já deu para entender – Elizabeth Taylor tinha problemas com relacionamentos... E a xará, dentro do ônibus, parece ter dedicado uma vida ao estudo deles.
  Espera, espera. ‘‘Agora, atenção, estamos chegando à casa de Tom e Katie.’’ Faz-se o silêncio. Lembra daquela cena em Parque dos Dinossauros, em que os carrinhos vão lentamente parando na frente da cerca do tiranossauro? Bom, como no filme, nada de Tom e Katie. O que se vê é um enorme muro verde – e uma ruazinha à direita, estreita, com trânsito proibido.
  Pelo que entendi, se você subir essa rua, passar por uma guarita e rastejar escondido pela mata, vai conseguir ver... um outro muro. E, lá no alto, mas no alto mesmo, o topo de uma torre branca. Ah, esqueci da fileira de lata de lixos. ‘‘São deles, será?’’, pergunta Jack. Sério, faz diferença?
  A essa altura, o casal francês já parece um tanto entediado; as meninas da Tailândia sorriem, estão adorando. Jack e Elizabeth... bom, estão em casa. O ônibus não pára em momento algum. Os vidros, explica a guia, são feitos de um material especial, preparado para não refletir flashes. ‘‘Podem fotografar à vontade!’’ O tour continua. À direita, Frank Sinatra (foto do ombro de Jack); à esquerda, o bangalô em que JFK se encontrava com Marilyn (foto da cabeleira de uma das meninas); a ex-casa de Angelina e Billy Bob Thornton (foto da cortina do ônibus); James Dean (péra, péra, péra... foto, tremida e desfocada, do poste). A cadeia em que Hugh Grant ficou preso depois de ser flagrado com Divine Brown; o parque em que George Michael foi pego, com uma colega dela; o hotel que já foi destruído por um incontável número de bandas de rock; um outro, comprado e restaurado por Brad Pitt...

Faça você mesmo
  No final das contas, uma dica: ali, na frente do Chinese Theatre, próxima da vendedora do tour, há uma outra, quietinha, sentadinha em um canto. Ela vende, por US$ 5, um mapa da região, em que estão indicadas as casas dos principais artistas. Faça você mesmo o seu passeio. (J.L.S./Agência Estado)

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