Reims A França é conhecida internacionalmente pela sua excelente produção de vinhos. Seus tradicionais vinhedos estão distribuídos por quase todo o território. Bordeaux, Borgonha, Alsácia, Vale do Loire e Champagne são, há séculos, as regiões vinícolas mais famosas do mundo. Onde quer que se esteja, é possível apreciar um bom vinho, espumante ou não. Mas, ao abrir uma destas garrafas, nem sempre se dá atenção ao seu conteúdo histórico, aprecia-se apenas o seu sabor mais forte e encorpado ou suave e mais leve.
A arte da fabricação desta milenar bebida, personagem principal de vários acontecimentos marcantes na evolução da Humanidade, teve início na Grécia Antiga e segue respeitando métodos semelhantes da época. Trazido para a França pelos romanos, parte deste precioso segredo e de suas magníficas histórias pode ser conhecido no seu próprio berço, ou melhor, nos seus próprios barris de carvalho. Patrimônios nacionais, as regiões vinícolas francesas são cortadas por rotas turísticas que envolvem o visitante numa atmosfera típica e muito viva.
A Montanha de Reims, a cerca de 150 quilômetros a nordeste da capital Paris, abriga os únicos parreirais de onde se tira a uva para a produção do charmoso champagne. Todos os outros vinhos com borbulhas produzidos em qualquer outra região do mundo devem obrigatoriamente ser chamados de espumantes, jamais de champagne. Os 3,4 Km2 demarcados pelo governo francês e rigorosamente controlados por cooperativas de produtores guardam todo o glamour desta bebida símbolo de comemoração.
Por isso, um passeio pelas montanhas e vales de Champagne pode ser uma experiência inesquecível. A região tem uma paisagem única. Com mais de 90% de seu território coberto de videiras, a região de Reims abriga quase 300 vilarejos que dividem a paisagem com as infinitas fileiras de uvas Pinot Noir, Pinot Meunier (escuras) e Chardonnay (brancas). As uvas estão por todo lado, até mesmo pequenos quintais servem para o plantio. E ali mesmo, em antigos galpões, o sumo retirado das frutas é artesanalmente transformado. Já as grandes exportadoras conduzem parte do processo de armazenamento com a ajuda de enormes pipas de inox.
História - Uma visita a Champagne também é uma agradável aula de história, além de um prazeroso aprendizado de como se faz e se bebe o charmoso vinho espumante. Os inúmeros caminhos que cortam a região entre Reims e Épernay fazem com que a chamada Rota Turística de Champagne tenha cerca de 600 quilômetros, permitindo aos viajantes uma surpresa a cada curva, com paisagens que parecem ter saído de uma tela impressionista. Isso sem contar as visitas às caves e as tão esperadas degustações da bebida com suas mais de 14 mil marcas.
O valor histórico desta região não se concentra apenas em torno do seu produto mais famoso. A catedral de Reims é uma das quatro mais importantes construções góticas religiosas da Europa, ao lado de Chartres, Nôtre-Dame de Paris e Amiens. Em julho de 1429, Joana D'Arc participou no local da coroação do rei Carlos VII, após vencer uma importante batalha contra os ingleses em Orléans. Sob o teto desta imponente obra arquitetônica nasceu o reino francês. Todos os reis que governaram a França entre 1180 e 1825 receberam suas coroas nesta igreja.
Seguindo pela Rota Turística em um passeio pelas vias que serpenteiam entre os impecáveis parreirais enfeitados com roseiras, cruzando por vilarejos de ruas estreitas, suas igrejas e inúmeras maisons (casas) de champagne, chega-se a Épernay. É nesta pequena cidade de 30 mil habitantes que se concentra outra parte das tradicionais companhias produtoras. As mais importantes ficam na Avenue de Champagne, como a secular Moet & Chandon. Os antigos casarões, em estilo clássico, guardam a história dos famosos fabricantes. Quase todos ficam abertos para visitas principalmente no verão, quando é grande o número de turistas na região.
A capital do Champagne, como é conhecida, mais parece uma ilha no meio dos parreirais. Entre as duas principais cidades da região existem cerca de 200 quilômetros de caves que abrigam milhões de garrafas cheias da bebida descoberta pelo monge beneditino Dom Pérignon no final do século XVII. Por aqui já se hospedaram Napoleão Bonaparte, Catharina de Médici e a rainha Vitória, isso sem contar as visitas oficiais de chefes de Estado, sempre recepcionados com um belo champagne. Tim-Tim!

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