'Rota' rouba a cena
A Cia de Dança Débora Colker roubou a cena na segunda noite de gala do 18º Festival de Dança de Joinville, que aconteceu na sexta. Apesar de já ter sido apresentada em Curitiba e em vários outros locais do Brasil e exterior, o espetáculo Rota ainda soa como novidade, devido ao impacto, beleza e perfeição da coreografia. A noite foi aberta pela Escola de Danças Contemporâneas de Moscou, dirigida pelo coreógrafo Nikolai Ogrizkov.
No palco, meninas com idades de 11 a 15 anos, apresentaram Lanterna Mágica, uma coreografia delicada que aborda sutilmente a cruel realidade atual da Rússia. Ogrizkov comentou que este trabalho foi muito criticado em seu País e bastante elogiado fora dele. Ele ressalta que o espetáculo não deve ser visto como uma tragédia, mas sim como uma dança de crianças.
Embaladas por um música que mistura Bach e folclore africano, as jovens bailarinas dançam sorrindo, sem saber exatamente do que se trata a coreografia. Foi uma opção bastante polêmica e questionável do coreógrafo: esconder delas a sua intenção de abordar a vida e a morte dentro da realidade social russa, através da dança. Sei que não é muito correto, mas é uma forma de preservá-las, de não permitir que se assustem e que não façam o espetáculo com cara de mortas.
Quando as cortinas se fecharam para o primeiro intervalo, a platéia começou a se alvoroçar, apenas pela expectativa de que a companhia carioca dirigida por Débora Colker estaria no palco quando elas fossem reabertas.
O aguardado espetáculo Rota, mais uma vez, não deixou ninguém decepcionado. Usando uma roda-gigante como cenário, onde os bailarinos demonstram toda a sua força física, leveza e habilidade, a coreografia pode ser considerada uma das melhores da consagrada companhia.
Misturando música erudita e pop, indo de Mozart a Chemical Brothers, Rota mostra melhor que nunca os movimentos atléticos e precisos dos 15 bailarinos de Débora Colker. Graças ao cenário, eles rodam e ficam de cabeça para baixo várias vezes durante o espetáculo, mostrando a rotatividade da própria vida. (S.M.)





