Rota de aventura na Linha do Equador
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de março de 2006
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
Um círculo perfeito, de 40.070 quilômetros. Uma linha imaginária contínua, que corta 13 países incluindo o Brasil , em três continentes. Uma área repleta de riquezas naturais e de problemas sociais, mas que fascina quem se atreve a conhecê-la. Fazer turismo na Linha do Equador é para quem gosta de se aventurar e descobrir cenários e espécies que não são encontrados em nenhum outro lugar.
Ao contrário do que se pode imaginar, a paisagem na latitude zero não se resume apenas a florestas tropicais e muito calor. Nessa região, o sol incide forte o ano inteiro, criando um ecossistema variado e paraísos para todos os tipos de viajante: praias de areia branca nas ilhas da Indonésia e nas Maldivas, florestas tropicais, a exemplo da Amazônia, e até picos gelados, como o Chimborazo, no Equador, de 6.310 metros, e o Kilimanjaro, na África, de 5.895 metros. Não é por acaso que metade das espécies animais existentes habita essa área da Terra.
Como explica a série ''A Linha do Equador'', do canal a cabo ''Animal Planet'' exibida às quintas-feiras, às 20 horas , a região é uma ''fábrica de espécies''.
Amazonas, Andes, Galápagos onde o naturalista inglês Charles Darwin consolidou sua teoria da evolução são apenas algumas delas. O homem tem sua origem nessa zona do globo, nas savanas do leste africano.
Salvo surfistas e escaladores, não é preciso se preocupar com temporadas de visitação na maior parte dos pontos turísticos situados na Linha do Equador. Só existem duas estações: a de chuvas e a da seca (o que não significa ausência de chuva, mas menor ocorrência).
Na faixa que divide ao meio a esfera terrestre não há grande variação de temperatura ao longo do ano, embora nos pontos de altitude a oscilação seja um pouco maior.
Quito, a capital do Equador, apresenta dias com temperatura de até 30 graus e noites com menos de 9. Portanto, vale lembrar: na hora de fazer a mala, não se esqueça de incluir algumas roupas de frio.
Além de estar sobre o mesmo paralelo, outro traço marcante dos países cortados pela Linha do Equador são os problemas econômicos e os conflitos sociais. Segundo a coordenadora de Geografia da Universidade Paulista (Unip) e Colégio Objetivo, Vera Antunes, isso se deve à forma de colonização. ''Na África, por exemplo, dividiram os países sem respeitar as divisões tribais, causando conflitos constantes. Isso prejudica o turismo, que poderia ser mais promissor'', afirma.
Ao longo da Linha do Equador, poucos países estão estruturados para receber um grande fluxo turístico. Equador, Indonésia, Ilhas Maldivas e até o Quênia, com seus safáris, sabem que os visitantes trazem dividendos importantes para o país, mas exigem, em contrapartida, uma boa infra-estrutura de serviços. Por esse motivo, somente chegar em alguns pontos do paralelo já pode ser considerado como uma grande aventura.
No Brasil, apesar do grande potencial, o turismo nas cidades próximas à latitude zero ainda tem muito a melhorar. Macapá, única capital brasileira cortada pelo paralelo, deu início a projetos para alavancar o turismo na região há pouco mais de um ano.
Belém, a capital do Pará, e Manaus, seu par no Amazonas, contam com infra-estrutura hoteleira organizada e atrações históricas e culturais, além de atividades ligadas ao ecoturismo. Mas o número de visitantes ainda é pequeno se comparado a outros países. A ilha de Bali, na Indonésia, por exemplo, recebe 3,5 milhões de visitantes ao ano, enquanto o Brasil recebeu 5,5 milhões de turistas em 2005.
Se as semelhanças geopolíticas são grandes entre os países, as diferenças culturais são ainda maiores. Nas Maldivas, por exemplo, segue-se a religião muçulmana. Por isso, recomenda-se aos turistas cobrirem as coxas e o corpo durante os tours pelas ilhas habitadas. Biquíni, só nos resorts.
Apesar de a religião oficial na Indonésia também ser a muçulmana, os habitantes de ilhas como Bali seguem o bali-hinduísmo, que mescla a religião hindu com crenças ancestrais. Por lá, as cerimônias fúnebres são festivas, pois eles consideram que a pessoa concluiu sua missão.
Na África, durante um safári no Quênia, é provável que os turistas encontrem os maasai, um povo nômade que se desloca por uma área com cerca de 1.800 quilômetros quadrados. Os maasai produzem peças de artesanato e as vendem para os turistas, mas mantêm seus costumes e tradições com orgulho. E isso é só o aperitivo.


