Roqueiro paulistano Kid Vinil já fez de tudo na área musical


Kid é do tempo do vinil, mas nunca deixou de acompanhar as últimas tendências do rock. Como comunicador, já fez de tudo na área: apresentou programas de rádio e TV, escreveu para revistas e jornais e comandou departamentos especializados em gravadoras. Como cantor, emplacou sucessos pop como ''Sou Boy'', ''Tic Tic Nervoso'' e ''Glub Glub no Clube''.
Esteve à frente das bandas Magazine, Verminose e Heróis do Brasil. Ultimamente, tem se apresentado com Kid Vinil Xperience. Também se dedica a atuar como DJ, atividade que já o trouxe a Londrina tempos atrás. No mês passado, Kid lançou a obra ''Almanaque do Rock'' (Ediouro), volume no qual traça um panorama do rock dos primórdios até a atualidade. E há poucos dias, retomou o prazer de apresentar programas radiofônicos, desta vez na internet, em formato de podcast (www.kidvinil.blosgpot.com).
O que você preparou para o show de hoje em Londrina?
Eu gostaria de ir com a minha banda, mas a organização do festival achou melhor que fosse uma jam session com uma banda local, então cantarei algumas músicas com a banda Hocus Pocus. Eu ainda não os conheço, vamos ensaiar na sexta à tarde antes do show. Será uma média de 10 músicas, incluindo sucessos do Magazine e alguns covers de rock nacional (Ultraje, Camisa de Vênus).
Você tem participado de outros festivais de bandas independentes no Brasil? O que tem achado do nível deles (estrutura, organização, etc) e da qualidade das bandas?
Os festivais independentes são bem organizados, já têm uma estrutura, veja o exemplo do ''Goiânia Noise'', ''Bananada'' e vocês daí do ''Demo Sul''.
Você acaba de publicar o ''Almanaque do Rock'' pela Ediouro. Deu para colocar todas as informações pretendidas ou a obra sofreu cortes?
Na verdade o ''Almanaque'' foi feito sob encomenda da Ediouro, então é um livro que conta a história do rock desde a década de 50. Não fiz nada no genero ''lado B''. Procurei ser fiel aos nomes mais importantes. Escrevi no início o suficiente pra dois volumes, mas tivemos que cortar mais da metade, pra caber num só volume, mas acho que consegui um bom resultado.
Você tem planos de publicar outros livros ligados ao rock?
Já sugeri pra Ediouro o volume dois do ''Almanaque'' falando dos que não entraram. Parece que eles curtiram a idéia.
Você voltou a apresentar um programa de rádio em formato de podcast em seu blog. Como está a experiência e a repercussão entre os ouvintes?
Acho uma boa saída fazer podcast, uma vez que as rádios em geral fecharam as portas pra boa música e para as novidades do indie rock. Tenho recebido muitos comentários positivos. Tá certo que não é igual a uma rádio que tem longo alcance, mas em se tratando de podcast acho que está sendo bem acessado. Gosto do formato programa de rádio, falando sobre as bandas. Preferi fazer dessa maneira do que simplesmente tocando as músicas.
Você tem algum projeto ou convite para voltar a trabalhar em rádio convencional ou na televisão?
Infelizmente não, as rádio em SP estão uma pobreza! Ninguém mais está ligado no que acontece de novo no rock. Parece que as pessoas pararam no tempo. Rádio hoje em dia é uma máquina de fazer dinheiro e não de tocar boa música. Televisão??? Pior ainda, o nível mental dessas pessoas é zero à esquerda!!!
Você é famoso por possuir uma coleção monstruosa de discos. Continua comprando discos ou aderiu ao download?
Toda semana compro as novidades em compacto de vinil de 7 polegadas das novas bandas indies. Lá fora eles não pararam de fabricar essas preciosidades. Hoje, por exemplo, recebi os novos singles da Spinto Band e do Of Montreal. Também compro CDs. Detesto fazer download, não tem graça, ainda sou da época do formato físico. Curto encarte, capa, informações sobre quem toca no disco, letras. Prefiro tudo isso impresso numa bela capinha seja em vinil ou CD.
Sua coleção tem quantos títulos?
Uns 20 mil vinis de rock em geral. Fico entrando em leilões de LPs no ebay, não paro de comprar vinis. Tenho uma quantia parecida também de CDs. Adoro edições limitadas, capas especiais, encartes, edições com bonus etc.
Se você fosse forçado a ficar com apenas 10 discos, quais você escolheria?
Difícil tarefa, pois não abro mão de nada na minha coleção, mas vou chutar alguns: The Beatles (''White Album''); The Rolling Stones (''Beggars Banquet''); The Velvet Underground & Nico (''The Velvet Underground & Nico''); Love (''Forever Changes''); T.Rex (''The Slider''); New York Dolls (''New York Dolls''); The Clash (''London Calling''); The Smiths (''Meat is Murder''); Sonic Youth (''Daydream Nation''); e Glasvegas (''Glasvegas'').
Você sempre foi sintonizado com novas tendências. Quais bandas novas mais o excitaram recentemente?
São tantas: Those Dancing Days, Los Campesinos, Futureheads, The Wombats, Metronomy, Eli ''Paperboy'' Reed, The Walkmen, Future of The Left, Friendly Fires, Cut Copy, Glasvegas, XX Teens, Black Lips, Cold War Kids, The Tamborines, Scum, The Kabeedies, We are Scientists, The Metros, Black Kids, Blood Red Shoes... Nunca ouvi tanta coisa legal como atualmente, a cena indie lá fora tem sempre grandes surpresas. (N.S.)


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