Roney e a orquestra dez anos depois
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sexta-feira, 23 de abril de 1999
Zeca Corrêa Leite 
Na noite de 19 de dezembro de 1988, no encerramento da temporada anual da Orquestra Sinfônica do Paraná, o público curitibano assistiu a um concerto onde o solista tinha apenas 16 anos, mas com um currículo de respeito - já percorrera cinco países europeus, a convite de um maestro suíço. Roney Marczak, que a essas alturas ainda não sabia que iria graduar-se em música na Alemanha, executou uma peça de Max Bruch, sob a regência de Alceo Bocchino. Foi muito aplaudido.
O londrinense, atualmente estudando no Conservatório de Berna, na Suíça, onde faz mestrado tendo por tese manuscritos inéditos e as obras de compositores brasileiros, vê a volta ao palco do Teatro Guaíra, amanhã, apresentando-se com a Orquestra Sinfônica do Paraná, como uma tendência natural. Nem por isso menos emotiva: Tocar no País da gente é sempre diferente que qualquer outro lugar do mundo. No Estado onde nasci é ainda mais marcante.
Uma curiosidade nos dez anos que separam um concerto de outro é lembrada por Roney: na primeira vez Lúcia Camargo comandava o Teatro Guaíra, e foi decisiva sua atuação para que ele pudesse tocar com a OSP. Hoje ela é secretária de Cultura do Estado. Tem certos gestos que a gente não esquece, diz Roney.
Depois de passar quase nove anos em Freiburg, na Alemanha, o músico mudou-se recentemente para a Suíça. Foi mais uma conquista na carreira iniciada ainda em Londrina, onde teve as primeiras lições de violino, aos sete anos de idade. À medida que se mostrava talentoso, a cidade natal foi tornando-se pequena. Passou a ter aulas em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.
Por alguns anos residiu na capital paulista, e de lá tomou um avião para a Alemanha. Esta é a sequência real dos acontecimentos, mas para que cada um deles acontecesse - sem contar outros degraus de ascenção artística - foi preciso muita garra para superar os obstáculos.
Roney Marczak sabe o que passou, e o esforço que ainda dispende, embora hoje tudo seja diferente. Daí que ele costuma dizer que os pais não devem forçar os filhos ao estudo da música por mera vaidade. É preciso que o estudante tenha vontade e talento, porque a carreira é árdua.
Feliz da vida, o violinista está satisfeito com as aulas que vem tendo com o professor Igor Ozim e sua assistente Monika Urbaniak. O mundo da música é muito mais amplo do que qualquer um pode imaginar. Tem sempre uma técnica, uma maneira de tocar, um detalhe mínimo que altera e acrescenta o som que você produz. É muito bonito. Para mim, é o que me alimenta a alma, finaliza.


