São Paulo, 28 (AE) - O baixista norte-americano Ron Carter vive voltando ao Brasil desde que esteve aqui pela primeira vez, nos anos 80. Mas é uma visita sempre bem-vinda. Amanhã (29) à noite ele se apresenta com um quarteto no Bourbon Street, numa jornada jazzística que teria ainda este mês a cantora Diana Krall - ela cancelou a vinda alegando problemas com a saúde da mãe.
Ron Carter ganhou cadeira cativa na hierarquia do jazz desde que surgiu na cena, em 1963, acompanhando o quinteto de Miles Davis. Carter também toca violoncelo, baixo elétrico, violino, trombone, tuba e clarineta e é um lorde de 2 metros de altura. Nasceu em Ferndale, Michigan, em maio de 1937, e estudou violoncelo desde os 10 anos. Em Detroit, ele se graduou em música na Eastman School e chegou a integrar a Eastman Philharmonic.
Ele fez bicos no começo dos anos 60, enquanto se graduava na Manhattan School of Music. Em 1963, se juntou ao lendário quinteto de Miles Davis, que tinha também Wayne Shorter
Herbie Hancock e Tony Williams. De natureza generosa, o mítico baixista é capaz de surgir como coadjuvante em concertos de jazzistas iniciantes no Carnegie Hall, em Nova York, sem que ninguém espere.
Desde os anos 60, aparece em mais de 500 gravações como convidado ou bandleader - tocou com Chet Baker, Eric Dolphy, Mal Waldron, Jim Hall, Wayne Shorter e outras feras. Versátil, aparece até em gravações de B.B. King, o papa do blues. "Ron Carter é a prova de que clareza e integridade ainda estão vivas no jazz", diz o crítico John Snyder.
Carter foi premiado duas vezes com o Grammy e costuma compor para cinema (uma de suas composições integra a trilha de Round Midnight"). No show de amanhã (29) à noite no Bourbon, ele apresenta canções de seus discos mais recentes, como "So What" (Blue Note", 1998) e "The Bass and I" (também Blue Note, 1997), e o novíssimo "Orfeu - no qual presta uma homenagem à música brasileira.
Em "Orfeu", ele gravou temas como "Obrigado, Manha de Carnaval" (assim, sem til) e Samba de Orfeu. "O som que você ouve nesse álbum não é aquele tipo de bossa nova que os americanos emprestaram dos brasileiros, mas algo criado a partir da experiência real", diz Carter. Um convidado do disco é realmente especial: o guitarrista Bill Frisell, um virtuose do instrumento, que o acompanhou em recente temporada com seu sexteto no Mistura Fina, no Rio.
Amanhã, no Bourbon Street (e no domingo, no Sesc Pompéia), ele se faz acompanhar por Stephen Scott (piano), Lewis Nash (bateria) e Stevie Kroon (percussão). Serviço - Ron Carter. Quarta e quinta, às 22h30, R$ 40,00 e R$ 55,00, no Bourbon Street Music Club. Rua dos Chanés, 217, tel. 5561-1643. No domingo, às 20h30, R$ 12,50 e R$ 25,00, no Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700.