Rompendo as fronteiras do tempo
Alguns pratos criados pelos tropeiros que desbravaram o País na época da colonização em busca de novas terras romperam a fronteira do tempo e continuam fazendo sucesso no cardápio de muitos brasileiros. Dois exemplos clássicos desta culinária são o feijão tropeiro e o arroz carreteiro.
"Os tropeiros cultivavam receitas muito práticas e com bastante robustez. Para preparar os pratos, faziam uso apenas das carnes defumadas pois naquela época não havia refrigeração onde elas pudessem ficar armazenadas", destaca Fernando Damasceno, chef de cozinha do restaurante O Tropeiro, em Londrina.
Além das carnes defumadas, Damasceno salienta que o feijão era preparado com banha de porco e a farinha de mandioca eram bastante utilizada. "Essa é a receita básica do feijão tropeiro, que dava sensação de saciedade para a tropa seguir viagem e voltar a se alimentar somente na hora do jantar. Com o tempo, o feijão tropeiro foi sendo enriquecido com a inclusão de outros ingredientes como ovo, couve, linguiça e torresmo", argumenta.
Damasceno destaca ainda que apesar de ser fácil de preparar, muitas pessoas cometem um erro básico em relação à receita do feijão tropeiro. "O ideal é utilizar o feijão rajado, que é mais firme, mas muita gente insiste em fazer o prato utilizando o feijão carioca, que não dá o mesmo resultado", salienta.
O chef enfatiza que o arroz carreteiro, refeição típica da primeira geração de caminhoneiros do País segue o mesmo conceito do feijão tropeiro. "O arroz carreteiro tinha charque e carne seca que podiam ser transportadas de caminhão sem necessidade de refrigeração. Mas a forma de preparo é basicamente a mesma, substituindo apenas o feijão rajado pelo arroz agulhinha", ressalta Damasceno, que ensina a receita dos dois pratos com exclusividade para a FOLHA.(M.R.)





