Celso Pacheco/DivulgaçãoO Grupo Frigg apresenta o espetáculo ‘‘Máscaras’’, no Teatro Zaqueu de MeloTrês espetáculos e uma demonstração de projeto cênico movimentam o penúltimo dia da Mostra Regional de Teatro/Filo 97. Às 14 horas, o Grupo Teatral União - formado por moradores do Conjunto União da Vitória, um dos mais carentes de Londrina - faz demonstração, na escola do bairro, do projeto cênico que desenvolve, coordenado pelo educador e diretor teatral Sílvio Ribeiro. Às 19 horas, o londrinense Grupo Frigg Teatro apresenta o espetáculo ‘‘Máscaras’’, no Teatro Zaqueu de Melo. Às 20h30, é a vez do paulistano A3 subir ao palco do Cine-Teatro Ouro Verde, com o espetáculo ‘‘Teleco’’ e, para encerrar a noite, a Cia Acômica, de Belo Horizonte, reapresenta o espetáculo ‘‘As Criadas’’, no Núcleo 1, a partir das 22 horas..
‘‘Máscaras’’, do londrinense Frigg, é um espetáculo voltado para o público adolescente, baseado no poema dramático de mesmo nome do modernista Menotti Del Picchia. Inspirado na Commedia dell’Arte, o poema reconta a história do Pierrô e da Colombina, temperada pelas malandragens de Arlequim e com sabor da brasilidade.
Aproveitando a narrativa diversificada, pontuada pelas falas dos personagens, a diretora Gilvânia Rodrigues transportou o poema para o palco num clima de música, dança e acrobacias, onde a linguagem circense e a comicidade do clown ajudam a despertar os jovens para a universilidade do amor romântico. Um trabalho que o grupo vem desenvolvendo desde sua fundação, há três anos, atuando em escolas da cidade e região.
Farsa e tragédia O espetáculo ‘‘Teleco’’, que o grupo paulistano A3 leva ao Ouro Verde, tem uma história de aparência nonsense e surreal, criada pelo escritor mineiro Murilo Rubião - um dos precursores do surrealismo fantástico na literatura brasileira - em 1947. E fala sobre um homem, sr. Simplício, que um dia conhece à beira-mar, o coelho Teleco que, além de falar, tem a capacidade de se tornar qualquer outro animal.
Simplício e Teleco ficam amigos e vão morar juntos. Os problemas começam quando Teleco decide ser um homem. Assume a forma fixa, passa a se chamar Antônio Barbosa e leva uma mulher para morar com eles. Na peça, adaptada pelo diretor e pelos atores Marcelo Cunha e Romina Boener - que, sozinhos, assumem os 13 personagens -, é utilizado um grande leque de linguagens cênicas (máscaras, mímica, circo, bonecos, clown e até desenho animado), com os atores se metamorfoseando sem abandonar o palco, com o público testemunhando a construção de cada personagem.
Celso Pacheco/DivulgaçãoO Grupo Teatral União demonstra projeto cênico, na igreja do União da Vitória
Nascido de um trabalho de conclusão de curso dentro da Escola de Comunicação e Artes (Eca) da Universidade de São Paulo, o espetáculo utiliza como trilha sonora recriações de cantigas infantis brasileiras do saxofonista Ivo Perelman, interpretadas pelo Bando da Lua, grupo que acompanhava Carmen Miranda.
Para encerrar o dia, a Cia Acômica, de Belo Horizonte, reapresenta o espetáculo ‘‘As Criadas’’, de Jean Genet, dirigido por Raquel Albergaria. O grupo mineiro - formado por alunos e ex-alunos do Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais - coloca em cena toda a subversão proposta por Genet, a começar pelos personagens, todos femininos, interpretados por homens.
A história mostra as irmãs Claire e Solange, as criadas, repetindo sempre um mesmo ritual: toda vez que Madame não está por perto, Claire a representa, enquanto Solange assume o papel de Claire. No decorrer da encenação, Madame hostiliza Claire brutalmente até ser assassinada. A montagem mineira abandona o palco para incluir o espectador dentro do espaço cênico.
q 14 horas - Projeto cênico do Grupo de Teatro União , na escola do Conjunto União da Vitória
q 19 horas - Espetáculo ‘‘Máscaras’’ , com o Grupo Frigg de Teatro, de Londrina, no Teatro Zaqueu de Melo (Rua Rio de Janeiro, 113). *
q 20h30 - Espetáculo ‘‘Teleco’’, com o grupo paulistano A3, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). *
q 22 horas - Espetáculo ‘‘As Criadas’’, com a Cia Acômica, de Belo Horizonte, no Núcleo 1 (Rua Quintino Bocaiúva, 1243). *
* Ingressos a R$ 8. Estudantes, idosos e funcionários da UEL pagam R$ 4.

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