ROMANTISMO, GLÓRIA E TRAGÉDIA
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Tudo o que foi cafona e kitsch um dia, pode virar cult depois de alguns anos de distanciamento. Na música pop, o fenômeno é pródigo em exemplos aplicando-se com rigor aos irmãos Richard e Karen Carpenter, cuja trajetória mistura glória e tragédia em igual proporção.
Os Carpenters são destaques hoje às 21h30 no canal Multishow, que exibe um especial contando sua história reunindo imagens de arquivo e depoimentos de pessoas que conviveram com a dupla. Uma reprise está prevista para a próxima segunda-feira às 16 horas.
Nos anos 70, a dupla enfileirou hits nas paradas emplacando quase sempre covers de Burt Bacharach e Beatles. Canções como Close to You e Please Mr. Postman venderam milhões transformando-os em ídolos de jovens e adultos mundo afora. A crítica, entretando, vivia ridicularizando seus sorrisos cândidos, penteados imutáveis e os excessos de mel de suas músicas.
Mas bastaram duas décadas para transformar o que era brega em chique. Em 94, eles foram homenageados no disco-tributo If I were a Carpenter, no qual bandas alternativas européias e norte-americanas como Sonic Youth, Grant Lee Buffalo, Redd Kross e Babes in Toyland recobriam de guitarras sujas as camadas de açúcar contidas nas versões originais.
O disco foi aprovado por Richard, que tinha perdido sua parceira em 1983. Karen era uma americana branquinha com dentição perfeita, sorriso meigo e olhos doces. Com a voz limpa e a técnica sob total domínio, ela abusava dos vocais, dando ao grupo uma característica única e facilmente reconhecível. Nem o exagerado chantilly dos violinos colocados nos arranjos ofuscavam sua performance.
Sua morte foi uma experiência trágica. Já em 1974, mesmo ano em que chegaram ao topo das paradas com a versão de Please, mr. Postman (dos Beatles), ela teve que frear os compromissos da carreira sofrendo um colapso nervoso, que mais tarde viria a ser diagnotiscado como anorexia nervosa. Sem conseguir ingerir alimento, foi definhando até sucumbir a um ataque cardíaco em 1983. Tinha apenas 32 anos.
Para lembrá-la, o cineasta americano Todd Haynes (de Velvet Goldmine, cujo vídeo acaba de chegar às locadoras brasileiras) rodou o filme Superstar: the Karen Carpenter Story, que fala sobre a luta da cantora contra a doença.


