Romântico incurável
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de outubro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Os inconsoláveis no amor têm sempre um CDzinho à mão para atenuar as feridas. Nos anos 80, dizem as más línguas, os yuppies amargavam suas perdas inclusive aquelas oriundas da quebradeira na Bolsa de Valores de Nova York ouvindo as canções do inglês Bryan Ferry.
A coletânea Slave to Love The Best of Ballads (Virgin), que chegou às lojas este mês, traz a trilha sonora desses extravios. Ferry, ícone do estilo, reúne 18 faixas derramadas que o aproximam de um certo romantismo cafona contrastando com sua propalada elegância cool.
Uns teclados aqui, um sax acolá e uma voz grave sussurrada são detalhes de um repertório oscilante em que sobra glacê de ponta a ponta. Ferry está com 55 anos. Tem um filho chamado Ottis Redding, em homenagem a um de seus grandes ídolos da soul music. Há quem aponte a dissolução de seu casamento com a modelo Jerry Hall como responsável por sua poética do desabafo.
Jerry o trocou por Mick Jagger em 1978. Coincidência ou não, de lá para cá ele tornou-se o crooner dos enamorados. A faixa-título, que abre o disco, foi a música que o guindou às paradas depois de embalar as cenas tórridas de Mickey Rourke e Kim Basinger no filme Nove Semanas e 1/2 de Amor. A compilação repassa sua carreira-solo e a fase em que cantava na banda glam Roxy Music empunhando o microfone à frente de Brian Eno, Phil Manzanera, Andy Mackay e Paul Thompson.
É dessa fase o hit Avalon, My Only Love, More Than This, To Turn Yoy On e a regravação de Jealous Girl (de John Lennon). Ferry aparece ainda ainda interpretando os sucessos Smoke Gets In Your Eyes e Falling in Love Again. Mas o melhor do disco fica por conta de These Foolish Things, faixa jazzy pontuada por piano, trumpete e performance vocal teatralizada.
O CD chega às lojas simultaneamente a Roxy Music The Early Years, também coletânea, contendo faixas dos primeiros trabalhos do grupo. No exterior, o cantor lançou recentemente o álbum As Times Goes By, com releituras de canções de amor dos anos 30. O incurável Ferry não descansa.


