Los Angeles - Nicholas Sparks é um romântico à moda antiga. Se fosse brasileiro, provavelmente cantaria Roberto Carlos. O escritor americano é hoje fonte inesgotável de histórias de amor que beiram o impossível e arrancam suspiros - e também uma grife best-seller. Seus 18 livros já foram traduzidos para 45 idiomas e renderam a ele US$ 80 milhões em mais de 50 milhões de cópias ao redor do mundo. Dessa cifra, aliás, o Brasil contribui com cerca de 2,5 milhões de exemplares só com os seis títulos da editora Nova Conceito, que tiveram o impulso das adaptações do cinema.
Isso porque suas tramas, com forte apelo visual, são rico material para romances tórridos, ideais a quem curte um sofrimento amoroso. Sparks é um mestre em expurgar agruras em lágrimas - quem já viu os melosos ''Diário de uma Paixão'', ''A Última Música'', ''Uma Carta de Amor'', ''Querido John'', entre tantos, bem sabe que elas virão em enxurrada. Piegas, talvez, mas o fato é que os dramalhões de Sparks já tiveram gente como Richard Gere, Kevin Costner, Paul Newman, Ryan Gosling estrelando seus seis filmes, um terço do que ele tem de bibliografia.
E Sparks não para. Aos 45 anos, escrevendo um livro por ano, e sempre acompanhando suas encenações nos sets, prestigia o lançamento de ''Um Homem de Sorte'', que estreia no Brasil esta semana pela Warner, com Zac Efron no papel principal. O livro, desse ano, foi bem-recebido, e já passou dos 150 mil exemplares. Em entrevista, o autor defendeu a pieguice e a busca do amor que, se não for para sempre, diz Sparks, seja transformador.

''Um Homem de Sorte'' é seu sétimo livro a virar filme. O que você acha que mantém no público esse apetite por romances?
Não é só o romance por si só. Meu propósito é levar o leitor e o espectador pelas emoções da vida. O romance é uma delas. ''Um Homem de Sorte'' (sobre um soldado que encontra a foto de uma mulher que ele acredita que lhe salvou a vida), por exemplo, trata de luta, fé, inveja, traição, e de diferentes relações de amor: de mãe e filho, entre irmãos...
É isso que os faz dar certo?
Eu penso o seguinte: se você vai ver um filme de terror, é porque quer se assustar. Ao ver uma de minhas histórias, você tem a sensação de que viveu uma vida inteira dos créditos iniciais à cena final. É uma viagem emocional. E esses personagens são pessoas boas; você sente que gostaria de conhecê-los, que eles poderiam ser seus vizinhos - vizinhos de quem você goste, certo? Funciona assim: eu ofereço essas emoções, e você, ao final, sairá com um pouquinho de esperança.
E com os olhos inchados, não é?
Não há nada de errado em derramar algumas lágrimas no cinema. Acho legítimo que a pessoa se emocione genuinamente com o que está vendo ali. Eu só quero que você chore um pouquinho, ora. Escrevo o tipo de história que eu gostaria de ler. É um grande esforço causar sempre um deslumbramento, manter um frescor. Todos os elementos de cada trama são únicos, mas você sempre sabe que se trata de um romance de Nicholas Sparks. É essencial dar a impressão de que aquilo poderia acontecer com qualquer um de nós.
Ficou temeroso ao ver Zac Efron, um astro da Disney, ser escalado para o papel de um soldado?
Zac foi a melhor opção possível. Queríamos alguém jovem, mas que tivesse experiência de vida. A maioria dos soldados americanos tem entre 18 e 25 anos, mas tem grande bagagem. Zac é ator desde os 12 anos. Seria mais fácil optar por um ator mais velho, mas não seria fiel à história. E, na verdade, hoje quando um ator assina contrato para fazer um filme meu, já sabe o que esperar. Assim como o público: levem seus lenços de papel (risos).
Seus livros não têm sempre finais felizes, mas todos pregam o amor verdadeiro. Você acredita que há alguém ideal para cada um?
Na minha visão, há mais do que uma pessoa por aí, o que não torna as coisas mais fáceis. Imaginar que só há uma pessoa lá fora para você é desesperador! Ninguém nunca se casaria, são bilhões de pessoas no mundo, como você a encontraria? Estou casado com minha mulher (Catherine) há 23 anos, mas poderia ter sido feliz de outro jeito. Não prego o 'amor para sempre', mas que quando você encontra o amor, é transformador.

* A jornalista viajou a convite da Warner

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