Romances na Europa, folguedos no Brasil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de abril de 1999
Elisa Marilia Carneiro 
Resultado de pesquisa sobre o gênero literário europeu romances e transformados em folguedos populares, os Romances, da Cia. da Tribo (SP), que serão apresentados, hoje, na 32ª Mostra Regional/Nacional e Universitária do Festival Internacional de Londrina (Filo), contam histórias fantásticas do imaginário popular.
Segundo o diretor Wanderley Piras, as pesquisas direcionaram o trabalho dos romances espanhóis e portugueses, do século XI - que eram histórias cantadas - para folguedos populares urbanos. Seguimos a linha das trovas para chegar a uma representação urbana do que chamamos de cultura popular, mas que era conhecida apenas pelas pessoas do meio rural.
O universo folclórico teve início nos romances de Câmara Cascudo e de Almeida Garret. Aos poucos esse mundo fantástico foi sendo transformado pelos índios, negros e brasileiros até chegar nas festas populares, conta Wanderley.
O espetáculo Romances utiliza-se de personagens do catimbó nordestino e dos monstros lendários como o mapinguari, o tutuatá e o tabatinga, e da estrutura européia de reis e rainhas para contar a história de Beatriz e Pierre.
Tabatinga, a poderosa entidade do mal, se apodera do corpo do pai de Beatriz e aprisiona sua alma em uma caverna guardada por mapinguari. Juntos Beatriz e Pierre decidem salvar a liberdade do reino. Desta forma, o que era um conto de fadas, ganha brasilidade e transforma castelos e monstros medievais em figuras do nosso imaginário.
Romances, com a Cia. da Tribo, hoje, às 22 horas, no Circo Funcart, Rua Senador Souza Naves, 2.380.


