O escritor inglês Henry Rider Haggard (1856-1925) comungava do mesmo pensamento de Robert Louis Stevenson para quem a ficção é para o adulto o que o brinquedo é para a criança. Haggard tornou-se famoso por sua literatura aventureira que produziu jóias como ‘‘Ela’’ e ‘‘As Minas do Rei Salomão’’, entre outros clássicos de aventuras. Em todos, ele sempre fez questão de exaltar a supremacia do Ocidente, mas foi razoavelmente equilibrado, para a surpresa dos críticos, em ‘‘Cruzada - No Reino do Paraíso’’, romance quase desconhecido que a Geração Editorial lança nesta semana (336 págs.,
R$ 49).
  Trata-se de uma história bélica com boa dose de romantismo. Para isso, Haggard criou dois personagens, os cavaleiros Godwin e Wulf, que são irmãos e se apaixonam pela mesma mulher, Rosamund, que, por sua vez, é sobrinha de Saladino, sultão muçulmano que se prepara para enfrentar os cristãos e reconquistar Jerusalém, em 1187, na Batalha de Hattin, uma das mais sangrentas da História.
  A paixão é colocada em questão quando os cavaleiros, cristãos convictos, se envolvem em épicas batalhas comandadas por homens que só pensam na morte dos muçulmanos. O problema é que Saladino exibe o mesmo ódio contra os adoradores da cruz. É possível, com isso, traçar uma semelhança com os dias de hoje, em que George W. Bush busca unir o Ocidente contra os fanáticos da Al-Qaeda de Bin Laden.
  O que sobressai, no entanto, é a escrita vibrante de Haggard, saborosa ao descrever costumes ‘‘exóticos’’ e emocionante ao acompanhar batalhas.

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