ROMANCE INSOSSO
Celso Mattos
De Londrina
Depois do mediano Seis Dias, Sete Noites, Harrison Ford volta no insosso Destinos Cruzados, que acaba de chegar às videolocadoras. Ao que tudo indica, o ator que foi escolhido Astro do Século cansou de interpretar heróis de ação, preferindo dramas românticos sonolentos. Destinos Cruzados, dirigido por Sydney Pollack, não passa de uma historinha de amor com uma única pretensão: mostrar que duas pessoas podem ser apaixonar mesmo estando em uma situação completamente adversa.
É o que acontece com o policial Dutch Van Broeck (Ford) e a congressista Kay Chandler (Kristin Scott Thomas). Cada um vive uma existência aparentemente feliz até que os parceiros de Dutch e Kay morrem num acidente aéreo. Pior do que a tragédia, é a revelação de que os dois estavam tendo um caso. Enquanto Kay tenta esquecer tudo, Dutch não se conforma enquanto não descobrir mais detalhes sobre a traição da mulher. É nesse fiapo de roteiro que se sustenta a trama de Destinos Cruzados. Concorrendo à reeleição, Kay tenta afastar Dutch de sua busca obsessiva, com receio que a imprensa venha a descobrir que seu marido tinha um caso com a mulher do policial.
Eles se aproximam e, bingo, se apaixonam. A partir daí o diretor Sydney Pollack constrói uma história com uma única pergunta: será que um romance surgido de uma situação tão trágica consegue superar as dificuldades? O filme não tem nada a oferecer a não ser a tentativa dos protagonistas de ficarem juntos. O telespectador fica o tempo todo esperando uma revelação mais perturbadora sobre os amantes que morreram no acidente, mas não acontece nadinha. Além disso, Harrison Ford não consegue esconder sua expressão de entediado que permeia o filme de ponta a ponta. O astro dá a impressão de estar louco para entrar em ação para fazer a adrenalina do espectador subir, mas nesse drama insosso ele não tem a mínima chance. Lançamento da Columbia TriStar. Duração: 133 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
[Retr-Foto:cd 6 I 21]
Reprodução
Filme levou merecidamente o Oscar de Melhor Trilha Sonora
O Violino Vermelho
Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora, O Violino Vermelho é um drama episódico dirigido pelo canadense Francois Girard. O filme segue a trajetória de um valioso violino e seus vários donos ao longo de três séculos. A história começa em Montreal, onde o especialista Charles Morritz (Samuel L. Jackson) investiga a autenticidade do instrumento, definido como o perfeito casamento entre ciência e beleza.
Durante as pesquisas de Morritz vêm à tona quatro histórias protagonizadas pelo violino e seus proprietários. A primeira começa no século 17, quando um mestre na arte de construir instrumentos musicais, resolve homenagear o nascimento de seu filho construindo o melhor e mais afinado violino do mundo. Mas a morte de sua mulher durante o parto muda seus planos. O que se vê a seguir é uma bela história de amor e música ao longo dos anos. A trilha sonora, vencedora do Oscar, é o ponto alto do filme. Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 130 minutos.
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A fita funciona como metáfora do caos racial e político nos Bálcãs
Barril de Pólvora
Tragicômica metáfora da violência, Barril de Pólvora foca um personagem pouco comentado nos noticiários sobre a guerra da Iugoslávia: a alma sérvia. Dirgido pelo iugoslavo Goran Paskaljevic, o filme é baseado numa peça homônima de Dejan Dukovski, um escritor macedônio de 26 anos. É uma obra difícil de assistir, mas importante para compreender o fatalismo de gerações que atravessam décadas sob a tutela de regimes modelados pelo autoritarismo de inspiração soviética.
Barril de Pólvora mostra jovens sem esperança nenhuma no futuro e idosos que, no fundo, já desistiram da vida. O filme é um catálogo de frustrações e neuroses urbanas que funciona como metáfora do caos racial e político nos Bálcãs. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 102 minutos.





