Los Angeles - Aos 37 anos, o escritor americano John Green chegou ao patamar de celebridade pop que raros colegas de profissão alcançam - ou almejam. Quando veio ao Brasil, na semana passada, para divulgar a adaptação para o cinema de seu terceiro livro, "Cidades de Papel", ele se viu rodeado de adolescentes, atendeu a fãs na pré-estreia do filme e fez até uma participação na novela "Malhação".
"Tive uma sorte estúpida. Fama é uma noção abstrata na qual entrei, mas que inevitavelmente logo perderei", diz o autor, que deixou o trabalho na ficção literária um pouco de lado para se dedicar a um programa on-line em que ensina história para jovens.
Após os mais de US$ 300 milhões gerados pela bilheteria de "A Culpa É das Estrelas", lançado no ano passado, o escritor poderia ter se perdido em Hollywood. "Adoro morar em Indianápolis e conviver com pessoas de diversas áreas", resume, quando perguntado sobre a experiência na indústria cinematográfica.
O autor, no entanto, admite que aceitará outras adaptações de suas obras, principalmente se repetir a experiência de "ir às filmagens e trabalhar com pessoas inteligentes o tempo todo".
Em "Cidades de Papel", dirigido por Jake Schreier ("Frank e o Robô"), ele acompanhou de perto a adaptação da história de Quentin "Q" Jacobsen (Nat Wolff), garoto que é apaixonado pela colega Margo Roth Spiegelman (Cara Delevingne). Na trama, ela arma uma vingança contra o ex-namorado com a ajuda de Q e desaparece no dia seguinte.
"No colégio, eu colocava várias garotas no pedestal, então conhecia muitas garotas como Margo", explica o escritor sobre a origem da protagonista. "Eu achava que estava fazendo um favor ao chamá-las de princesas, mas dizer isso a alguém é separar a pessoa da humanidade", completa ele sobre a personagem, vivida pela modelo britânica Cara Delevingne, 22, em seu primeiro grande papel no cinema.
"Ela foi contratada porque é uma atriz brilhante e entendeu Margo melhor do que eu", diz Green ao justificar a escolha. "Cara passou a vida toda sendo tratada como um objeto de duas dimensões que servia como cabide de roupas, e as pessoas acham que a conhecem. Ela é uma força da natureza. Ela não é normal."

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