Roman Polanski recria o cinema noir
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Ranulfo Pedreiro 
DivulgaçãoJack Nicholson (à direita) em Chinatown: produção dirigida por Polanski marcou momento de ascensão na carreira do atorDurante a adolescência, Jack Nicholson resolveu conhecer de perto as grandes estrelas do cinema. No departamento de desenhos animados da Metro ele conseguiu um emprego de mensageiro. Nicholson gostou tanto do meio que estudou artes dramáticas e atuou no teatro e no cinema no final dos anos 50.
Desde então dedicou-se inteiramente ao cinema: interpretou, roteirizou e dirigiu. Mas sua carreira parecia empacada, não deslanchava. Até que Nicholson foi convidado para substituir um ator em Sem Destino, de Dennis Hopper, e conseguiu indicação para o Oscar de coadjuvante. Seu trabalho embalou com uma série de filmes realizados no começo da década de 70, como Cada um Vive Como Quer, Ânsia de Amar e Chinatown - uma sequência de bons trabalhos que culminaram em Um Estranho no Ninho, que lhe rendeu o Oscar de melhor ator.
Chinatown, que o USA mostra às 21h30, traz Jack Nicholson em plena ascensão. Dirigido por Roman Polanski, a fita recria uma ambientação e uma narrativa típica dos filmes noir. O enredo se passa em Los Angeles nos anos 30, onde uma mulher contrata os trabalhos de um investigador particular. O excelente roteiro envolve o protagonista numa trama carregada de assassinatos e corrupção. Polanski aparece como o marginal que fere o nariz do detetive. A produção traz ainda Faye Dunaway e John Huston.
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Uma curiosidade: durante o período de produção, Nicholson ainda não sabia quem eram seus verdadeiros pais. Filho de mãe solteira, o ator foi registrado pelos avós, para ser poupado do preconceito da época. Ele só ficou sabendo que sua mãe era June - que ele considerava sua irmã - por volta de 1977.
A programação da TV por assinatura está em um dia inspirado. Gina Lollobrigida é homenageada com dois filmes: Noites de Amor, Dias de Confusão, que estréia às 15 horas no Telecine e Hotel Paradiso, às 11 horas na TNT.
A HBO mostra duas ótimas comédias de Woody Allen: Poderosa Afrodite, com Mira Sorvino, às 8h45, e Tiros na Broadway, com Dianne Wiest e John Cusack, às 15h30. Wiest também está na comédia Parenthood - O Tiro que Não Saiu pela Culatra, às 14 horas no USA, ao lado de Steve Martin, Rick Moranis e Keanu Reeves.
Outra boa opção é Henrique V, clássico de Shakespeare adaptado para o cinema por Kenneth Branagh, que além de dirigir ainda protagonizou o filme. O único problema é que a dublagem pode comprometer a produção devido à complexidade do texto e à carga dramática que ele exige. A fita será exibida às 23h05 na TNT.
A Primeira Noite de um Homem traz Dustin Hoffman em boa atuação, ainda em início de carreira. O ator já estava com 30 anos e, mesmo assim, se deu bem interpretando um adolescente. O filme se sobressai também pela direção de Mike Nichols e pela trilha sonora, com sucessos de Simon & Garfunkel. A fita será exibida às 19 horas na TNT.
O Telecine traz outra estréia às 21 horas. Além das Palavras é estrelado por Geraldine Chaplin e narra as epopéias amorosas de Swift, autor de As Aventuras de Gulliver. Às 22h15 a HBO exibe Teia da Paixão, suspense sobre uma garota que descobre fazer parte de uma trama de assassinato planejada pelo amante de sua mãe.


