Roma ganha cópia de plástico
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segunda-feira, 29 de dezembro de 1997
Agência Estado 
ReproduçãoO Coliseu de Roma: réplica poderá abrigar 180 mil espectadores, cerca de três vezes a capacidade do original.Com o centro de Roma cada vez mais apinhado de ônibus de turismo e afetado pela fumaça de veículos, um consórcio com sede em Milão apresentou a resposta óbvia: a construção de uma cópia da antiga Roma, quase em tamanho natural, na zona rural da Umbria, onde os turistas poderão caminhar em torno de réplicas do Fórum e do Coliseu, em vez de destruir as ruínas verdadeiras. Os visitantes poderão até pernoitar no local e assistir a um massacre de cristãos por leões como distração noturna, cortesia dos efeitos especiais.
O consórcio comprou 360 hectares de terra em Castel Giorgio, às margens do Lago Bolsena, perto de Orvieto, cerca de 80 quilômetros ao norte de Roma, por US$ 10 milhões. Também está negociando a compra de uma área de 230 hectares para construir um parque temático que se chamará Roma Vetus - Roma antiga em latim.
Os organizadores revelaram a intenção de terminar a construção do parque em tempo para a virada do milênio, quando a verdadeira Roma deverá receber até 40 milhões de visitantes e peregrinos.
Os visitantes assistirão a corridas de bigas e duelos de gladiadores, além do massacre de cristãos por animais selvagens produzido por meio de efeitos especiais. Para tanto, o consórcio contratou Carlo Rambaldi, o italiano que ajudou a criar os efeitos do filme ET, de Steven Spielberg, como consultor técnico.
Estilo romano As construções clássicas existentes no local, como o Coliseu, o Fórum Romano, o Panteão e as Termas de Caracalla e Dioclecianas serão reproduzidas em fibra de vidro, em escala um pouco menor, cerca de três quartos do tamanho real. Na iluminação serão usadas tochas no estilo romano. Quanto aos restaurantes, será proibido o uso de talheres de plástico. Será igualmente interditado o tráfego de automóveis e caminhões em Roma Vetus. O transporte será feito por charretes e liteiras. Os funcionários do parque usarão togas confeccionadas exclusivamente com fibras naturais.
Sandálias de plástico serão totalmente excluídas, adiantou um dos organizadores. O único hotel planejado, que ficará na réplica do Monte Palatino, será aquecido por água quente de uma fonte termal próxima e não por gás ou eletricidade, que nada teriam da velha Roma.
Em vista da adoção de um sistema moderno de acomodação do público, o Coliseu poderá abrigar 180 mil espectadores, cerca de três vezes a capacidade do original.
O empreendimento deverá custar US$ 250 milhões e os investidores esperam obter o retorno rapidamente, em parte pelo fato de a réplica de Roma ter sido oferecida para servir como set de filmes, além de atração turística. Há planos de ampliar um aeródromo próximo, situado em Castel Giorgio (que não é usado desde a 2ª Guerra Mundial) para trazer turistas em vôos fretados especiais.
Provavelmente, alguns turistas não vão precisar ir a Roma propriamente dita e irão explorar a Umbria, comentou o jornal italiano La Republica. Por outro lado, se os ônibus e aviões lotados levarem os passageiros para as áreas mais admiráveis da Umbria e para as colinas toscanas, possivelmente vão acabar criando um congestionamento maior do que o existente em Roma.


