Roger Vadim morre em Paris
France Presse
O cineasta francês Roger Vadim morreu ontem, em Paris, aos 72 anos, em consequência de um câncer, informaram pessoas próximas a ele. Vadim, pseudônimo de Roger Plemiannikov, dirigiu cerca de 20 filmes, entre elas Et Dieu créa la femme (E Deus criou a mulher, 1956) que lançou ao estrelato Brigitte Bardot, Les liaisons dangereuses (Ligações perigosas, 1959) e outros, dirigindo suas sucessivas esposas ou companheiras, como Jane Fonda em Barbarella (1968).
Cineasta de filmes em geral mal acolhidos pela crítica, Roger Vadim Plemiannikov foi um grande descobridor de talentos femininos. Nascido a 26 janeiro de 1928 em Paris, filho de um vice-cônsul da França, ele se apresentou no curso de arte dramática de Charles Dullin. De 50 candidatos, dois foram recebidos: Vadim e o mímico Marceau.
Uma vocação teatral que não durou pois ele se voltou para o roteiro, tornando-se assistente de Marc Allégret e depois tentou a mise en scSne antes de ser jornalista na Paris-Match de 1953 a 1955.
A virada de sua carreira se situa em 1956. Nesse ano, assinou a direção de Et Dieu créa la femme. O filme escandalizou, mas teve um sucesso mundial e revelou uma jovem desconhecida, Brigitte Bardot, com quem se casara em 1952.
Ela vai personificar a primeira rebelião da jovem geração, saída da burguesia francesa, contra a moral e os princípios estabelecidos da sociedade. Depois de Sait-on jamais? (Aconteceu em Veneza) e Les bijoutiers du clair de Lune (Vingança de mulher), decepcionantes, Roger Vadim empreendeu em 1959 as Liaisons dangereuses (Ligações Perigosas) com Gérard Phillipe e Annette Stroyberg, com quem se casou em 1958. A crítica de novo lhe reprova por insultar os bons costumes. O cineasta se defende, afirmando querer atacar a moral da sociedade da qual recusa os tabus.
Teve muitos fracassos e foi criticado por seu laisser-aller, pelo caráter superficial e inacabado de seu trabalho e, em suma, por seu talento desperdiçado.
Em 1963, rodou Le vice et la vertu (O vício e a virtude) com sua companheira Catherine Deneuve, que lhe dará aos 18 anos um filho, Christian, e em 1968, Barbarella, com sua esposa Jane Fonda a quem dará uma dimensão extra-terrestre. Roger Vadim sempre se dizia fora de moda porque se situava na moda do futuro.
Em 1975, se casou com a quarta mulher, Catherine Schneider. Em 1986, Vadim escandalizou de novo com um livro de memória, Dune Etoile lautre, uma crônica ligeira de suas relações com Brigitte Bardot, Catherine Deneuve e Jane Fonda.
Dedicou pelo menos cinco livros a suas mulheres e a suas memórias. O último (1993) tem um título significativo: Le gout du bonheur. Em 1987, assinou seu último filme, uma versão anos 80 de E Deus criou a mulher.
Roger Vadim recentemente refez a mise en scéne no teatro e gravou telefimes com a atriz Marie-Christine Barrault, com quem se casou em 1990. Montou notadamente no teatro em 1991 Tudo bem no ano que vem, de Bernard Slade, com Victor Lanoux.
O tema da família desintegrada, que conhecia bem, o fez voltar à televisão com dois telefilmes de sucesso, La nouvelle tribu em 1996 e Un coup de baguette magique no ano seguinte.





