Rock sai do túnel do tempo
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terça-feira, 05 de novembro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O Brasil é o parque dos dinossauros do rock. Nesta temporada, mais dois representantes da era jurássica desembarcam no país trazendo músicos de cabelos brancos à beira de pendurar as chuteiras.
O primeiro a chegar é o grupo holandês Focus, expoente do rock progressivo, que toca no país nos próximos dias 6, 7, 8 e 12. O outro é o trio canadense Rush, monstro sagrado do hard rock, que tem três shows marcados para este mês (um deles, no dia 22 em São Paulo, motivou uma excursão de londrinenses).
As duas bandas são remanescentes dos anos 70, período em que alcançaram o apogeu de suas carreiras lançando álbuns repletos de virtuosismo instrumental. Focus surgiu na Holanda, inicialmente como banda de apoio para a montagem local do musical ''Hair''. Na época, antes da explosão punk, o mundo gostava de ouvir composições longas com pretensões sinfônicas.
As preferências do público recaiam sobre grupos ingleses (como Yes, Emerson, Lake & Palmer, King Crinson, Rick Wakeman e Jethro Tull) e alemães (como Tangerine Dream, Can, Nektar e Eloy). Focus era a exceção holandesa. Despontou na primeira metade da década de 70 com os álbuns ''Moving Waves'' (que trazia o sucesso ''Hocus Pocus''), ''Focus 3'' (do hit ''Sylvia'') e ''Hamburger Concerto.
Tinha como núcleo o guitarrista Jan Ackkerman e o tecladista e flautista Thijs van Leer. Só o segundo permaneceu na formação. De lá para cá, a banda gravou discos de pouca repercussão com seus músicos dedicando-se a projetos-solo. Há anos, não se ouvia falar deles no Brasil. A inesperada turnê partiu de um convite para participar do ''Rio ArtRock Festival'', cuja sétima edição será realizada esta semana.
Focus toca amanhã no Festival. O show acontece no Canecão, no Rio de Janeiro. O roteiro da excursão inclui ainda apresentações em Macaé (quinta), São Paulo (sexta, no DirecTV Music Hall) e Belo Horizonte (dia 12). O Rush, por sua vez, concretiza um sonho antigo dos fãs, já que durante anos especulou-se sobre a vinda do grupo ao país.
Lenda entre músicos e aspirantes a músicos, estabeleceu prestígio com uma pomposa fórmula que unia hard rock e progressivo, explorada em álbuns antológicos como 2112 (1976), A Farewell to Kings (1977), Hemispheres (1978) e Moving Pictures (1981). Alex Liefson (guitarra), Geddy Lee (baixo) e Neil Peart (bateria) desembarcam daqui a duas semanas, provavelmente sem o mesmo vigor dos anos heróicos, mas com a mesma perícia na execução ao vivo dos instrumentos.
Apesar da longevidade, arqueológica para os padrões do rock, a banda conseguiu não só atravessar quase três décadas com a formação original (só o primeiro disco não trazia Neil Peart nas baquetas) como ainda renovar sua legião de fãs. A temporada de shows no Brasil faz parte da turnê mundial do recém-lançado álbum ''Vapor Trails'', que quebrou um hiato de seis anos longe dos estúdios de gravação. A longa pausa foi motivada por tragédias vividas por Neil Peart, que perdeu a mulher para o câncer e a filha num acidente de trânsito.
Neste fase de recesso, Lifeson enveredou por trilhas sonoras e Lee lançou seu primeiro álbum-solo. Agora, reunidos outra vez, chegam finalmente à América do Sul exclusivamente para uma série de três shows no Brasil: dia 20 em Porto Alegre, 22 em São Paulo (no Morumbi) e 23 no Rio (no Maracanã). Em Londrina, uma excursão está programada para o show paulistano. Informações pelo telefone (43) 3025-2147.


