Rock romântico
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2002
Rodrigo Souza Grota Reportagem Local 
Se você está decepcionado com o cineasta Cameron Crowe após o desastroso Vanilla Sky, há agora motivos para tê-lo em boa conta. Seu segundo e melhor filme, Quase Famosos (Almost Famous, EUA, 2001), chega ao mercado brasileiro em um DVD duplo, incluindo a versão do diretor com 36 minutos a mais que o material exibido nos cinemas.
Após o ótimo Jerry Maguire, Crowe retorna a um tema que ele conhece há tempos o rock dos anos 70, universo em que figurou como crítico e fã desde os 15 anos. Aficcionado pelo estilo que mudou os anos 50, determinou os 60, e amadureceu nos 70, o cineasta começou a escrever sobre bandas de rock seguindo modelos de outras modalidades ensaísticas, como a crítica literária e pictórica. Chegou a acompanhar, por exemplo, os bastidores das turnês do legendário Led Zeppelin, todas regadas a muito álcool e mulheres.
Em Quase Famosos, a banda de Jimmy Page e Robert Plant se transforma na trupe Stillwater, uma típica evidência do clima de tolerância e libertinagem presente naquela década. O encanto de Crowe pelo tema atribui ao filme um tom respeitoso, que destaca e amplia as ambiguidades de jovens divididos entre a amizade e o sucesso a qualquer custo. Em uma cena antológica, quando o alter ego de Crowe vive um conflito ético (como é amigo dos rockeiros, não sabe como os criticar), um crítico mais velho sentencia: Como disse Goethe, seja ousado e forças superiores estarão ao seu lado.
Especial atrativo são os extras do DVD, que além da versão ampliada, oferece uma opção do filme com comentários de Crowe, sua mãe (no filme, interpretada por Frances McDormand) e de alguns amigos; making of; uma entrevista com o crítico musical já falecido Lester Bangs; artigos da Rolling Stone escritos pelo cineasta; notas de produção e trailer de cinema.
Lançamento: Columbia. Duração: 118 minutos.
ReproduçãoO Dorminhoco: humor anárquico
Allen futurista
Após o lançamento especial de quatro DVDs de Woody Allen (Manhattan, Tudo o Que Você Queria Saber Sobre Sexo e Tinha Medo de Perguntar, A Última Noite de Boris Grushenko e Annie Hall), a Fox oferece outro obra do cineasta que andava esquecida: O Dorminhoco (Sleeper, EUA, 1973), sátira futurista que brinca com Fahrenheit 451, de François Truffaut, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, entre outras referências.
Inexistente em vídeo no Brasil, os cinéfilos têm uma ótima oportunidade de conhecer um dos últimos exemplares de uma comédia anárquica, típica da primeira fase de Allen, em que o humor corrosivo, irracional e improvisado é privilegiado. Estilo bem distante da segunda fase na obra do cineasta, em que as influências de Bergman e Checov iriam impor um clima mais sóbrio, intelectual e que, próximo do humor, imprime sempre um tom amargo.
Em O Dorminhoco, Allen interpreta uma cobaia que desperta 200 anos depois da época em que viveu. Acuado pelo ambiente inóspito, frio e obsoleto, logo ele se apaixona pela musa Diane Keaton (em seu primeiro trabalho com o cineasta). Mesmo com único extra que oferece o trailer original do cinema, o filme merece revisão, seja pelo caminho tortuoso para que nos direcionamos, ou pela falta de humanismo que o humor de Allen denuncia tão bem. (R.S.G.)
Lançamento: Fox. Duração: 89 minutos.


