Rock perde o mítico SYD BARRET
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terça-feira, 11 de julho de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Syd Barret morreu. O mítico fundador da banda inglesa Pink Floyd teria falecido há três dias, mas a informação só foi anunciada ontem pelo porta-voz do grupo. Ele tinha 60 anos. Sofria de diabetes e de esquizofrenia. Participou do primeiro álbum da banda, ''The Piper at The Gates of Dawn'', e de algumas faixas do sucessor ''A Saurceful of Secrets''. Gravou ainda os discos-solo ''The Madcap Laughs'' e ''Barret'' antes de abandonar a música e se dedicar à pintura.
Há dois meses, os londrinenses puderam assistir a um documentário raro sobre o artista na sessão Kinoarte Mostra Curtas, promovida no Bar Valentino. Sua trajetória é emblemática da contracultura dos anos 60, quando o uso de substâncias entorpecentes era considerada uma via para a expansão da consciência. Barret abusou do LSD. Nascido em Cambridge, estudou artes antes de mergulhar no psicodelismo formando o Pink Floyd com Roger Waters, Rick Wright e Nick Mason.
Durante sua breve experiência com a banda, foi líder e autor da maioria das composições. Guitarrista inovador, foi um dos primeiros a explorar as capacidades sonoras da distorção e especialmente da máquina de eco. Em 1967, quando o álbum de estréia chegou às lojas, ele já revelava sinais de desintegração mental. Numa excursão aos Estados Unidos, ele teria tocado insistentemente uma mesma nota durante um show.
Seu comportamento imprevisível apareceu também durante o programa de televisão de Pat Boone, no qual parou de tocar para olhar fixamente para a câmera. Em outra ocasião, já em Londres, ele teria aparecido no estúdio com uma canção nova chamada ''Have You Got It Yet''. Ao apresentá-la aos colegas, deixou-os intrigados mudando os acordes cada vez que a executava, inviabilizando sua aprendizagem pela banda. Os incidentes prosseguiram até secar a paciência dos companheiros, que queriam mantê-lo longe dos palcos, apenas compondo.
Suas músicas, todavia, refletiam seus problemas psíquicos. Assim, não restou outra alternativa senão excluí-lo da banda. Fora do Floyd, o músico gravou dois álbuns, tentou montar outro grupo e em seguida se isolou na casa de sua mãe onde passou a pintar telas. Barret não aparecia e nem falava publicamente desde 1973. Sua morte poderá multiplicar o estoque de lendas em torno de sua figura.


