Joe Strummer deixou uma vasta legião de ''órfãos'' em todo o mundo. O ex-líder da banda The Clash morreu em sua casa no último domingo. Até o fechamento da edição, a causa não havia sido divulgada.
Ele tinha 50 anos. Morava com a mulher e filhos em Broomfield, na Grã-Bretanha. O músico foi um dos protagonistas do movimento punk, que sacudiu a Inglaterra e depois o mundo na segunda metade dos anos 70. Com o The Clash, tornou-se uma espécie de consciência social da juventude britânica lançando álbuns fundamentais como ''London Calling'' e ''Sandinista''.
A banda, a mais politizada da época, foi também a mais inquieta musicalmente da corrente incorporando ska, reggae e rockabilly à cartilha dos três acordes. Com a dissolução do grupo, em 1989, Strummer seguiu uma trajetória errática compondo trilhas sonoras e enveredando até como ator de cinema em filmes de Alex Cox e Aki Kaurismaki.
Nos últimos anos, estabilizou-se à frente da banda Los Mescaleros gravando os álbuns ''Rock, Art & The X-Ray Style'' e ''Global a Go-Go''. Há poucos dias, ele havia anunciado que participaria de um show no dia 2 de fevereiro de 2003, na Ilha de Robben, na África do Sul, em homenagem a Nelson Mandela. Na ocasião, cantaria uma música sobre o líder negro, composta em parceria com Bono Vox (do U2) e Dave Stewart (ex-Eurythmics).
Os três subiriam juntos no palco. O show cuja renda será destinada a vítimas da Aids e do vírus HIV será realizado no interior da prisão (hoje tombada como patrimônio da humanidade) no qual Mandela permaneceu 18 dos 27 anos em que esteve encarcerado. Também recentemente, rumores davam conta de que Strummer voltaria a se reunir com os demais integrantes originais para um retorno do The Clash em 2003.
Agora, os rumores se dissolvem com a morte do guitarrista, que deixa o mundo para se juntar a outros ícones do punk rock como o amigo Joey Ramone, vocalista dos Ramones, falecido no ano passado.

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