São Paulo - Para todos os que ouvimos extasiados rocks dançáveis como ‘‘House of Jealous Lovers’’, do Rapture; ‘‘Danger, High Voltage’’, do Electric Six; e ‘‘Dance to the Underground’’, do Radio 4; eis uma bela notícia: já fazemos um som com aquela pegada aqui na nossa área. Tudo isso está espalhado, em doses generosas, em Tropical Splash (lançamento 3PLUS / Distribuição ST2 Music), o novíssimo disco da banda Copacabana Club, uma das boas da nova safra do pop rock nacional - chegou a tocar no festival norte-americano South by Southwest, em 2010, e fez lá uma turnê de sete shows.
  ‘‘O disco condensa tudo o que a gente fez nos últimos quatro anos. A gente começou a banda um pouco para se divertir, e aí as primeiras músicas foram ganhando novas versões e ficando mais fortes. Se tivesse algo no disco que a gente julgasse que tivesse ficado para trás, defasado, a gente não tinha gravado’’, diz Claudinha Bukowski, baterista do Copacabana Club.
  Algumas músicas são novíssimas, outras já são hits das pistas nacionais, como ‘‘Just Do It’’, quase um hino geracional. ‘‘Você pode furar seu nariz/Costurar suas roupas/Dançar sozinho/Você pode fazer alguns amigos/formar uma banda/ou cantar junto’’, diz a letra em inglês (como todas).
  Entre as 13 canções do disco, algumas influências saltam aos ouvidos, como o Rapture, em canções como ‘‘Peach’’ e ‘‘It’s Us’’. ‘‘Rapture? Muito. Sempre gostamos muito. Mas é um disco muito diversificado, como o gosto da gente. Uma vez, para explicar ao produtor Dudu Marote qual era a sonoridade que tinha a ver com a gente, colocamos para tocar Radio 4’’, conta Claudinha.
  Uma das boas contribuições da cena curitibana para o pop nacional recente, o Copacabana Club veio logo depois da explosão do Bonde do Rolê, e já é veterana para os recém-chegados de A Banda Mais Bonita da Cidade, fenômeno recente na internet. ‘‘Chegamos a colocar o vídeo deles no nosso blog. É uma praia diferente da nossa, mas a gente curte. É sempre legal um músico fazer aquilo no qual acredita, soa mais honesto’’, lembra.
  As comparações entre Copacabana Club e Cansei de Ser Sexy não chateiam a banda, garante Claudinha. Mas ela diz que são equivocadas. ‘‘Devem comparar porque tem garota no vocal, synths. Mas, na verdade, a comparação não tem muito a ver. Quando a gente toca lá fora, a imprensa estrangeira nunca faz essa confusão’’, diverte-se. ‘‘Eu gosto do CSS, acho legal. Mas não foi influente para a gente’’, afirma a baterista.
  Pelo menos uma coisa tem tudo a ver com o CSS: uma certa ironia das letras, própria do povo da noite. Na semana passada, metidos num ônibus para fazer show em Sorocaba (SP), eles ainda nem tinham ouvido o próprio CD depois de pronto. A estrada parece ser o destino do Copacabana Club. Desde 2008, quando abriram shows dos americanos do Friendly Fires no festival Popload Gig, no Studio SP e no Circo Voador, têm agenda cheia.
  A carreira teve início em 2007, quando fizeram seu primeiro show em Curitiba. Gravaram uma demo e colocaram algumas músicas no MySpace, e dali em diante foi só crescendo sua reputação. A vocalista do Copa é Camila ‘‘Caca V’’, e a banda tem ainda Alessandro Oliveira (guitarra e teclados), Rafael Martins (guitarra) e T. Douglas (baixo).
  Bukowski, por sinal, é bom salientar, é sobrenome de família, não é codinome para homenagear o escritor Charles Bukowski. Por ironia, a curitibana ainda é filha de Carlos Bukowski. ‘‘Muita gente fica me xingando no Twitter e no Facebook, dizendo ‘e essa baterista aí do Copacabana Club, que fica zoando com o nome do Bukowski. (risos)’. O fato é que eu ia adorar ser sobrinha de verdade do Charles Bukowski.’’

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