Rock londrinense na rota do sucesso
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Até tu Beatles já se perguntou ''Por que não fazemos isto na estrada?'' e, nunca mais, nenhuma outra banda no mundo traiu os ideais on the road. A mochila nas costas sempre foi indispensável na viagem do rock em direção ao sucesso. ''Tudo depende aonde você quer chegar, mas se você é independente é preciso reunir um bom repertório e ir para a estrada. O público é quem vai definir se a banda dará certo. Sempre foi assim, os Beatles fizeram assim. Também é preciso fazer um bom network'', afirma Rodrigo Guedes, quase um veterano na cena roqueira londrinense e que se divide entre o Grenade, que lançou o primeiro CD em 1998, e o New Ones, que tem um ano e meio de estrada. Produtos, que os músicos conseguiram colocar na programação da MTV e Multishow.
O Grenade já tocou nos maiores festivais do País, como o Tim Festival, e foi escalado para os melhores momentos do programa TramaVirtual, do Multishow, sendo destaque também na edição de setembro da revista Rolling Stone. O New Ones vem a reboque, entrando na programação dos canais de TV. Para não pararem no congestionamento de bandas que pegam a estrada, alguns músicos preferem a freeway internet, que abriu caminho para o Grenade e outras bandas londrinenses, que estão num movimento migratório para o sucesso. ''Como é grande o número de bandas que aparecem fica difícil os jornalistas e a crítica especializada observarem todas. O MySpace, blogs e Orkut são boas maneiras de mostrar o trabalho'', afirma Guedes, que tem fãs nos Estados Unidos e outros países.
Todos os que pensam em pôr o pé na estrada querem saber quais as reais chances que as bandas londrinenses têm para chegar na frente de milhares que se colocam na estrada. Ninguém possui uma bola de cristal para responder isso, mas, o músico paulista, radicado no Rio de Janeiro, Waldir Batone, arrisca um palpite: ''Já trabalhei com alguns músicos londrinenses e, entre os que encontrei, existe uma pegada jazzística, que considero o grande diferencial do rock e da música jovem que se faz em Londrina, que não vejo em São Paulo ou Rio de Janeiro'', afirma Batone, ressaltando também a influência do Curso de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Levada que vai do jazz à música eletrônica & acústica do Spyzer, que conseguiu cavar uma apresentação no programa ''Altas Horas'', de Serginho Groisman, esperando no ponto para embarcar na grade da programação global. Na próxima quarta-feira, os rapazes gravam o Jô Soares, com a apresentação de duas músicas. O programa deve ir ao ar no mesmo dia ou ao longo da semana. Também estão aguardando a confirmação de uma palinha no Faustão. Pilotado pelos londrinenses Lhux (Lori Andrei Peres Baçan), Jay (Antonio Carlos Hodas Júnior), Andy-X (André Sá Carneiro) e Rick (Ricardo Augusto Pereira), o Spyzer coloca na pista um som inovador com um mix de instrumentos, desde os tradicionais, como saxofone e guitarra, ao grande pan, fabricado com PVC, e o aborígene digerido, considerado o primeiro instrumento da humanidade.
Há seis meses os rapazes bateram na porta de São Paulo para ficar, morando todo mundo junto, dividindo, além da banda, a administração da casa. ''Continuamos sendo um grupo de Londrina, mas chega uma hora que é preciso mudar para São Paulo, que é uma vitrine do trabalho de qualquer músico'', afirma Lhux.
Tocando em casas, como Pacha, o templo paulista da música eletrônica, e uma das atrações, em outubro, do Helvetia Music Festival, evento que reúne os grandes nomes do gênero no mundo, o Spyzer chamou a atenção do empresário Robson Menezes, que já tinha trabalhado com o Papas da Língua. Ele assistiu uma apresentação e se colocou à disposição para empresariar o grupo. ''Tínhamos acabado de lançar um vídeo. Ele pegou esse material e apresentou à produção do 'Altas Horas'. Eles gostaram, achando o nosso trabalho muito diferente e acabou rolando o convite. A gente deu um passo muito bom no cenário nacional'', conta Lhux, acrescentando que a banda se apresentou por volta das 3 horas da madrugada e, mesmo assim, a repercussão na audiência encheu a caixa de e-mail da banda.
O Helvetia será a locação do clip do Spyzer para tentar entrar com tudo na MTV. ''O nosso plano de marketing é trabalhar em rádios. Dificilmente, a música eletrônica consegue tocar no rádio sem antes estourar nas pistas'', afirma o músico, acrescentando que a banda está com um CD prontinho, estudando a proposta de três gravadoras interessadas em lançar.


