São Paulo - A sexta edição do Rock in Rio, que começa hoje, comemora os 30 anos do festival com o line-up mais desinteressante de sua história. A lotação esgotada nos sete dias de shows, com 595 mil ingressos vendidos ou utilizados em promoções, explica-se pela característica do evento, que é uma atração em si; o público quer ir à Cidade do Rock e comprar uma camiseta "Rock in Rio: Eu Fui".
Se o empresário Roberto Medina incluiu, sozinho, o Brasil no circuito dos shows internacionais de rock e pop em 1985, seu mérito agora é transformar o festival numa espécie de Disneylândia para adultos. E, como aos turistas em busca de Mickey e Donald, ele tem a oferecer o que o grande público quer, uma zona de conforto.
Os fãs do Metallica que o digam. Mesmo sem lançar um disco há sete anos, o grupo pesado americano comparece a seu terceiro Rock in Rio seguido. A produção do festival trabalha com a noção de que poucos artistas conseguem ser headliners (como são chamadas as principais atrações de cada noite) para plateias de 85 mil pessoas.
Neste ano, a escalação rendeu-se completamente a esse conceito. Pela primeira vez na história do festival, todos os headliners já tocaram em edições anteriores: Queen (1985), Metallica (2011, 2013), Rod Stewart (1985), System of a Down (2011), Slipknot (2011), Rihanna (2011) e Katy Perry (2011).
Em 2013, apenas dois headliners foram repetidos: os pesados Metallica e Iron Maiden. Além disso, as novidades Beyoncé e Bruce Springsteen colaboraram para elevar a qualidade dos shows no País, com um nível sem precedentes de produção (ela) e entrega no palco (ele).
Há menos surpresas. O palco secundário Sunset, que se destacou nas últimas edições por promover encontros inusitados entre dois ou mais artistas, desta vez apresenta sete shows individuais, convencionais: Magic!, John Legend, Korn, Halestorm, Lamb of God, Deftones e Al Jarreau.
Várias atrações não lançam discos há muito tempo. Além do Metallica, System of a Down (dez anos), Mötley Crüe (sete) e A-Ha (seis).
Na escalação de brasileiros no palco principal, apenas Lulu Santos e Paralamas tiveram sucesso recente em turnês. Cidade Negra e CPM 22 despencaram em popularidade.
Houve uma substituição desanimadora. Com o cancelamento da vinda da cantora sueca Robyn, veio a convocação do duo eletrônico inglês AlunaGeorge, uma obscuridade que tocará para 85 mil pessoas no palco principal.
Sucesso comercial inegável, o Rock in Rio 2015 não empolga quem quer boas novidades musicais.

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