Rock gringo e traços brasileiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Esse cara poderia muito bem largar a música e se transformar num roteirista de quadrinhos. Esse era o tipo de comentário fácil de ser encontrado em qualquer rodinha de leitura de The Umbrella Academy escrito pelo astro de rock adorado pelos adolescentes, Gerard Way, do My Chemical Romance. E o pitaco faz juz: tanto o texto quanto os desenhos do brasileiro Gabriel Bá e as cores de Dave Stewart, além das belíssimas capas de James Jean, fizeram do arco Suíte do Apocalipse um item premiado e esgotado nas prateleiras. O encadernado chega ao Brasil pela Devir Livraria.
The Umbrella Academy: Suíte do Apocalipse narra o crescimento de um grupo de superseres, sete crianças encontradas mundo afora entre 43 bebês gerados a partir de mulheres aparentemente sem sinais de gravidez. À medida que vão se tornando adolescentes, vão tendo dificuldades em lidar uns com os outros. E esse é o grande charme de tudo isso, enfrentar seus sentimentos e ainda salvar o mundo.
Way procura os caminhos mais fáceis para falar de coisas difíceis e usa aventura e cultura pop reunidos em narrativa de blockbuster de verão. Bá, influenciado pelos traços de Mike Mignola e seu Hellboy, encontrou um bom equilíbrio entre o trabalho autoral e o material de consumo estadunidense, os super-heróis.
Faz-se necessário lembrar que o capista das edições fasciculadas originais é o sempre inventivo James Jean, famoso pelos belos trabalhos em Fábulas e Arqueiro Verde. Além disso, o arco ilustrado por Bá teve as cores de um dos nomes mais respeitados na indústria estadunidense, Dave Stewart, veterano da Dark Horse que também já pôs a mão em Ultimate X-Men, Demolidor, Conan, Capitão América, entre outros.
Way, Bá e cia. fizeram uma deliciosa e despretensiosa aventura, cheia de ação e drama. A edição nacional coleciona o encadernado gringo junto com a capa nacional feita por Bá, que assina um prefácio antes do texto original, de Grant Morrison. Tem também extras legais, como histórias curtas, seção de desenhos e esboços e outros comentários.
Pixu - A capa remete a Terror em Amitiville. E o interior... também. O que Pixu tem da tradicional história de horror são o tema e o responsável pelo mal: um prédio. A edição chega agora em português pela Devir Livraria e vai para as prateleiras juntamente com The Umbrella Academy.
Pixu significa marca do mal que prenuncia a morte iminente. A história, com tom misterioso e subjetivo, como todo bom conto de terror, conta a vida de cinco moradores reclusos, afetados pelo prédio.
Aos poucos, os autores vão mostrando a relação entre esses vizinhos e a maneira como o prédio os corrompe. O leitor vai sendo convidado, entre imagens perturbadoras, a observar também a maldade que existe em cada um dos personagens.
Pixu reúne o que de melhor quatro autores do quadrinho independente -hoje famosos no meio mainstream- fazem com o preto-e-branco em tons de cinza. Gabriel Bá torna sua narrativa mais flexível e seu irmão gêmeo, Fábio Moon, contrapõe leveza e inocência diante da tosquice e do terror. A italiana Becky Cloonan solta o pincel no melhor estilo Paul Pope, enquanto o grego Vasili Lolos, mesmo jovem, exibe arte-final de primeira, como a de um artista veterano. Enfim, uma história de horror com requinte visual.


