Carlinhos Brown disse que já esperava a reação agressiva de parte do público ao seu show. ‘‘Sou transgressor. Vim aqui por aquela coisa da paz. Se não fosse assim não teria graça’’, disse, após deixar o camarim.’’ Segundo o cantor e compositor baiano, a atitude foi típica de jovens cariocas. ‘‘Isso não aconteceria na Bahia, onde os jovens são disciplinados.’’
Calmo, pouco mais de meia-hora depois de ter deixado o palco, Brown usou um argumento à baiana para comentar o episódio. ‘‘Sou filho de Ogum e isso atrai essas coisas.’’ Segundo ele, a má receptividade talvez ocorresse em qualquer outro dia de show, independente de ter os fãs no Guns N’Roses na platéia. ‘‘Não é feio gostar de Guns, é feio não gostar do Brasil’’, disse.
Para Brown, ‘‘o roqueiro, no fundo, é uma pessoa doce. O rock’n’roll é a coisa mais infantil que tem, não tem diferença em relação à Xuxa; pesada é uma escola de samba’’, argumentou. ‘‘Mas o roqueiro tem um comportamento retrógrado, de se vestir de preto...’’.
O fato de o episódio ter acontecido num festival que prega um mundo melhor é visto por Brown com preocupação. ‘‘Esses meninos são todos saudáveis, criados no Toddy. Precisam aprender a entender o Brasil.’’ Do lado institucional, o produtor Roberto Medina minimizou a relevância do confronto, afirmando não se arrepender de escalar Brown e Pato Fu junto com Guns N’Roses.
‘‘Acho que festival é assim mesmo. Há diversidade de tribos, por mais que se faça uma programação alinhada sempre vai acontecer isso’’, disse.
Elogiou a atitude de Brown, de reagir também agressivamente: ‘‘Ele foi bem. Foi agressivo, e aí rolou legal’’, exagerou, sem mencionar frases do cantor como ‘‘o dedinho pode enfiar no traseiro’’.
Medina negou, por outro lado, que a escalação conflitante fosse proposital, para gerar polêmica. ‘‘Não, você não desenha a irreverência. Seria um desrespeito com a banda’’, concluiu.

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