''Rock é infantil'' revidou Brown
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terça-feira, 16 de janeiro de 2001
Israel do Vale e Pedro Alexandre Sanches Agência Folha 
Carlinhos Brown disse que já esperava a reação agressiva de parte do público ao seu show. Sou transgressor. Vim aqui por aquela coisa da paz. Se não fosse assim não teria graça, disse, após deixar o camarim. Segundo o cantor e compositor baiano, a atitude foi típica de jovens cariocas. Isso não aconteceria na Bahia, onde os jovens são disciplinados.
Calmo, pouco mais de meia-hora depois de ter deixado o palco, Brown usou um argumento à baiana para comentar o episódio. Sou filho de Ogum e isso atrai essas coisas. Segundo ele, a má receptividade talvez ocorresse em qualquer outro dia de show, independente de ter os fãs no Guns NRoses na platéia. Não é feio gostar de Guns, é feio não gostar do Brasil, disse.
Para Brown, o roqueiro, no fundo, é uma pessoa doce. O rocknroll é a coisa mais infantil que tem, não tem diferença em relação à Xuxa; pesada é uma escola de samba, argumentou. Mas o roqueiro tem um comportamento retrógrado, de se vestir de preto....
O fato de o episódio ter acontecido num festival que prega um mundo melhor é visto por Brown com preocupação. Esses meninos são todos saudáveis, criados no Toddy. Precisam aprender a entender o Brasil. Do lado institucional, o produtor Roberto Medina minimizou a relevância do confronto, afirmando não se arrepender de escalar Brown e Pato Fu junto com Guns NRoses.
Acho que festival é assim mesmo. Há diversidade de tribos, por mais que se faça uma programação alinhada sempre vai acontecer isso, disse.
Elogiou a atitude de Brown, de reagir também agressivamente: Ele foi bem. Foi agressivo, e aí rolou legal, exagerou, sem mencionar frases do cantor como o dedinho pode enfiar no traseiro.
Medina negou, por outro lado, que a escalação conflitante fosse proposital, para gerar polêmica. Não, você não desenha a irreverência. Seria um desrespeito com a banda, concluiu.


