Nelson Sato
De Londrina
A maringaense Bia Grabois estréia em disco reunindo guitarras pesadas, baladas doloridas, surf music e eletrônica. Enquanto a banda Toyshop tem uma modelo como vocalista
No país das cantoras ‘‘ecléticas’’, pelo menos uma tenta redimir a classe orientada pelo rock. Pena que o resultado não corresponda à intenção. A estréia em disco da maringaense Bia Grabois, radicada no Rio de Janeiro, é uma frustrante tentativa de impor-se no mercado com uma linguagem cada vez mais repelida pelas vozes femininas.
Rock Me, lançado pelo selo Dubas, flagra uma artista com personalidade mas ainda titubeante em sua proposta. As faixas se sucedem sem concessões a ritmos da moda e alheias a parcerias oportunistas com compositores baianos ou ilustres emergentes como Lenine e Zeca Baleiro, os preferidos dos que aspiram a uma filiação ‘‘respeitável’’.
Mas Bia mostra fragilidades como compositora, tarefa que divide com seu irmão Mário Grabois, revelando-se vulnerável também como intérprete por falta de potência vocal. Ela passeia pela surf music (‘‘O Céu Negro’’), baladas doloridas (‘‘Baby’’), eletrônica (‘‘O Índio’’), canções acústicas (‘‘O Medo’’) e o rock pesado da faixa-título soando sempre como uma cantora à procura de uma intensidade que lhe escapa.
Na foto da capa, chega a lembrar a nova-iorquina Patti Smith, esta sim um carrossel de melancolia em chamas. Nas letras pouco inspiradas, a poesia dá lugar a crônicas de costumes. ‘‘Pobre patricinha, tem que se matar / para estar na moda / Pobre patricinha, tem que se matar / para ser global’’, diz ela em ‘‘Pobre Patricinha’’.
O CD foi produzido por Tom Capone e Plínio ‘‘Profeta’’, com exceção de duas faixas em que a dupla dividiu o trabalho de estúdio com a banda Vulgue Tolstoi. Todos eles tocam no disco, das guitarras à caixinha de música. Entre as participações especiais figuram o gaúcho Wander Wildner na faixa ‘‘Pobre Patricinha’’ e Maurício Barros (ex-tecladista do Barão Vermelho) em ‘‘O Homem’’.
O disco, que inclui de bônus uma regravação em espanhol de ‘‘O Medo’’, será lançado também no Japão com a faixa adicional ‘‘Dark Black Sky’’, a versão em inglês para ‘‘O Céu Negro’’. Bia Grabois é o primeiro lançamento roqueiro da gravadora Dubas, voltada para a MPB. A cantora destoa das colegas de metiê, seja pela ambição autoral ou por rejeitar o ecletismo rastaquera, mas também não efetiva seu projeto musical cumprindo apenas metade do que propõe. Seu disco de estréia ensaia, mas não alça vôo.

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