Rock de protesto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de julho de 1998
Simone Mattos 
Curitiba já foi chamada pelo público e pela imprensa de Seattle brasileira, devido ao grande número de bandas de rock existentes na cidade. Hoje, estes mesmos grupos estão reunidos, denunciando o descaso e a falta de apoio aos músicos locais.
Mais de 20 grupos já aderiram à Cooperativa das Bandas de Curitiba, um movimento liderado pelo empresário Élcio Simei Soares. Há cinco anos convivo com este pessoal e patrocino eventos de rock, mas cansei de não ter retorno, afirmou.
Ele reclama o fato de Curitiba nunca ter tido uma banda de valor nacional. Como exemplo cita o lendário grupo Blindagem. Pelo talento e competência destes músicos, eles não alcançaram nem um décimo do sucesso que deveriam ter conseguido, afirma. Hoje o Blindagem poderia ser mais conhecido nacionalmente do que o Barão Vermelho ou o Legião Urbana, exemplifica.
Ele culpa as autoridades locais e ameaça reunir todas as bandas num show-manifesto, que aconteceria em frente à Fundação Cultural de Curitiba. O maior exemplo do descaso que sofremos aconteceu no show dos 300 anos de Curitiba, quando foram gastos mais de R$ 400 mil e nenhuma banda local subiu ao palco da Pedreira, acusou. Com este valor poderíamos ter feito um mês de apresentações, prestigiando as bandas locais.
Ele informou que Curitiba conta, no mínimo, com 150 grupos. O que queremos é chamar a atenção do mercado nacional para os talentos locais. Para isto, a primeira providência da cooperativa foi o incentivo ao lançamento de CDs independentes dos grupos. O disco é um cartão de visitas, o primeiro passo para o profissionalismo, disse o empresário.
As bandas Relespública e Necrotério foram as primeiras que gravaram seus CDs, pelo selo independente Jethro Songs. Num sistema de consórcio, cada grupo contribuiu com uma quantia inicial, utilizada para cobrir os custos de prensagem dos discos.
Outra providência da cooperativa foi a de apresentar um projeto à Lei de Incentivo Municipal. A proposta é de que as bandas possam se apresentar nos bairros de Curitiba, em shows que envolveriam as comunidades locais.
Uma das bandas que ingressou na cooperativa, a Spina Bífida, conseguiu multiplicar rapidamente o número de shows realizados. Em dois anos, havíamos feito cerca de sete shows nos bares de Curitiba, contou o vocalista e baixista, Leandro Laube. Em dois meses que estamos participando da cooperativa, já fizemos seis shows, informou.
A banda, que toca heavy metal com influências góticas, espera que sua agenda de shows se torne cada vez maior. Outra pretensão é começar a gravar o primeiro CD, com dez faixas, no próximo mês. O disco deverá ser lançado até outubro.
Além da Spina Bífida, outras bandas que aderiram à cooperativa são Marcação Cerrada, Zigurate, Ovos Presley, Estigma, Jack Flash, Rocha na Cabeça, Diabos Verdes, Paincult, McAranha, Mano Loco e outras.


