ROCK COMO ARTE
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de junho de 2001
Nelson Sato De Londrina 
O Mogwai viria ao Brasil em setembro. Mas nem deu tempo para comemorar. Num piscar de olhos, a suposta turnê já foi cancelada pelos promotores, restando o consolo de ouvir o novo disco do grupo que acaba de entrar em catálogo nas lojas de importados.
Mogwai é de Glasgow, Escócia. Está na ponta de lança do post-rock, vertente caracterizada pela expansão das fronteiras do gênero calcando-se em poucos vocais (ou nenhum) e viagens instrumentais. Diferente dos badalados Belle and Sebastian, seus conterrâneos, o grupo explora pouco o formato canção preferindo a experimentação das guitarras em composições longas, lentas e tristonhas.
Rock Action, o novo CD, traz apenas 8 faixas. Como o disco anterior, tem a colaboração do aclamado produtor Dave Fridmann, o mesmo que assinou os últimos álbuns de Mercury Rev, Flaming Lips e Delgados. O repertório beira o impecável. Os vocais, sempre contidos, aparecem aqui e ali entre guitarras dedilhadas e arranjos para piano, flauta, cellos e violinos.
Os crescendos hipnóticos e explosivos, marca registrada do quinteto, despontam nas faixas You Dont Know Jesus e 2 Rights Make 1 Wrong, ambas oscilando entre atmosferas contemplativas e estridências ensurdecedoras. Rock Action talvez seja o melhor trabalho da banda formada por Stuart Brathwaite, John Cummings, Dominic Aitchison, Martin Bulloch e Barry Burns.
Além do novo CD, já lançaram os álbuns Young Team e Come On Die Young, a coletânea de singles Ten Rapid Collected Recordings 1996-1997, o EP No Education: No Future e o CD duplo de remixes Kicking a Dead Pig/Fear Satan. Anticomercial, o grupo permanece impermeável ao sucesso em grande escala. Se é dífícil prever o futuro do rock, não é difícil apostar em Mogwai como um de seus arquitetos.


