Rock brazuca rumo ao Velho Continente
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quarta-feira, 28 de outubro de 1998
Ricardo Moreno Especial para a Folha2 
Duas das maiores bandas de Curitiba, as únicas com reconhecimento em vários países da Europa, fazem sua última apresentação na cidade antes de embarcar em turnê pelo Velho Continente. Uma é a representante máxima da cena psychobilly (mistura de elementos do rockabilly com uma postura mais agressiva de palco) no Brasil e atende pelo nome de Os Catalépticos. A outra mistura Metal com elementos de world music e chama-se Zeitgeist. As duas fazem um show hoje à noite, no Circus Bar, em Curitiba.
Enquanto 99% das bandas da capital lutam por um merecido reconhecimento nas fronteiras tupiniquins e um possível contrato com uma gravadora qualquer, Os Catalépticos e o Zeitgeist correm por fora e já têm público garantido do outro lado do Atlântico. Tanto que estão lançando por lá os discos que não conseguiram lançar por aqui.
O power trio dOs Catalépticos volta pelo segundo ano consecutivo a Londres para participar do maior festival do gênero no mundo, o Big Rumble, que já está em sua décima primeira edição. Reunindo 25 bandas de psychobilly de todo o planeta, o grupo curitibano é o único, em 11 anos de festival, a representar o nosso continente.
Somos vistos como uma atração exótica, comenta Vlad, vocalista e guitarrista da banda. Você acaba encontrando pessoas de todas as partes. Tem gente que vem dos Estados Unidos e até do Japão. Mas nunca havia tido um grupo daqui participando do Big Rumble, orgulha-se o baixista Gustavão.
Na verdade, a carreira do trio - que ainda conta com Coxinha nas baquetas - é muito mais promissora do que qualquer um possa imaginar. Seja pelo impacto que suas performances causam, ou pelo baixo acústico e a bateria tocada de pé, a verdade é que já conquistaram muitos fãs no exterior tornando-se o xodó da gravadora Nervous Records, uma das mais respeitadas do gênero.
Estamos fazendo o caminho inverso da maioria das bandas. É triste dizer, mas estamos tendo o reconhecimento lá fora para, daí, sermos respeitados no Brasil também, lamentam. No ano passado participaram da coletânea Rumble Party 6 (apenas com os grupos que tocaram no festival) e alguns meses mais tarde, da compilação The Best of Fury Psychobilly.
Mas o êxtase total veio mesmo na semana passada, quando foram comunicados que seu disco solo, Litlle Bit of Insanity, já estava sendo vendido nas lojas de vários países da Europa. Tivemos liberdade total neste disco, desde a arte da capa até a composição das músicas, diz Coxinha. Os produtores da Fury apenas passavam algumas dicas pela Internet de como poderíamos aprimorar nosso som, completa Vlad.
Esse ano voltam como convidados, sendo uma das atrações principais do Big Rumble, que vai acontecer em um parque de veraneio chamado Great Yarmouth, a 300 Km de Londres. Estamos muito empolgados nesta volta. Às vezes a gente até acha que nada disso está acontecendo, que tudo parece um sonho, brincam.
Já o Zeitgeist, no começo do ano, firmou um contrato com a gravadora holandesa DSSA, especializada em bandas de metal. E em janeiro mudam-se para a Holanda. Não adianta ficarmos no Brasil. Nunca iríamos sair disso. Lá existe um movimento muito forte e solidificado, comenta o guitarrista Sat.
O Zeitgeist, na verdade, é uma das bandas menos conhecidas no cenário underground de Curitiba. Desde o seu surgimento fizeram apenas sete shows. São vários os motivos que nos levaram a fazer tão poucas apresentações. O mais sério é a falta de um equipamento adequado, lamenta.
Com uma turnê marcada para o início do ano que vem, o grupo deve passar por vários países onde o disco será lançado, incluindo Holanda, Alemanha, Dinamarca, Japão, Portugal, Espanha, França, Austrália, Polônia, Iugoslávia, Suíça, Estados Unidos e todo o Oriente Médio.
Com um postura de palco intimista onde, segundo os próprios integrantes, adotam alcunhas como uma forma de proteção, o Zeitgeist é outro tiro certo no mercado fonográfico estrangeiro.
Shows com as bandas Os Catalépticos e Zeitgeist - no Circus Bar (Rua São Francisco, 213). Preços: R$ 7,00. Fone: (041) 324-2351.


