Rock, amor e morte
Rock, amor e morte
Uma cantora de rock lésbica é a protagonista da
minissérie criada pelo escritor inglês Neil Gaiman
Nelson Sato
ReproduçãoMorte: personagem gótica criada por Neil GaimanOs leitores exigentes estão voltando às bancas. Como na metade dos anos 80, o mercado das histórias em quadrinhos começa a se agitar com o surgimento de novas editoras e lançamento de títulos que fogem das aventuras convencionais de super-heróis.
Na Abril Jovem, prevalece ainda as revistas de pouco cérebro e muita ação. Mas a recente reedição comemorativa de Batman - O Cavaleiro das Trevas desponta como uma senha e parece demarcar uma nova fase em sua programação de lançamentos dosando qualidade e entretenimento.
Prova disso é o lançamento da minissérie de luxo Morte - O Grande Momento da Vida, título da editora Vertigo, o braço cult da DC Comics. Com roteiro de Neil Gaiman e arte de Chris Bachalo, a revista chega às bancas numa minissérie de três edições.
Quartos O autor é um dos monstros sagrados dos quadrinhos. Virou celebridade ao escrever Sandman, um clássico no gênero. Bachalo, seu parceiro visual, não fica atrás em termos de prestígio e aval entre os críticos especializados tendo ilustrado (recentemente, para o público brasileiro) a historinha da Geração X, na revista estreante X-Force.
Morte, a personagem de Gaiman, já circulou por aqui há cinco anos numa saga gótica lançada pela Globo. Agora, em O Grande Momento da Vida, ela reaparece numa trama ambientada no universo da música pop e que traz como protagonista uma cantora de rock lésbica. Na abertura do primeiro episódio, o autor mostra que não é objeto de culto por acaso.
Repare: As pessoas encontradas mortas em quartos de hotéis não teriam se matado em casa. Quartos de hotel não ligam se a gente vive ou morre. Alguém aparece e limpa o quarto de manhã, indiferente ao que você tenha feito e vai completar o estoque do frigobar, fazer as camas e levar embora cadáveres e lenços de papel usados.
Que essa Morte seja bem-vinda.





