O Sonic Youth veio, abalou e arrebanhou novos fãs. O Weezer voltou a fazer shows e anunciou que vai entrar no estúdio mês que vem para gravar o terceiro álbum. No reino das guitarras alternativas americanas, a temporada é das mais empolgantes, a ponto das lojas brasileiras se verem inundadas por uma avalanche de lançamentos.
Um dos destaques é o ‘‘The Days of Our Nights’’ (Trama), da banda Luna, comandada pela figurinha carimbada Dean Wareham. É o quinto disco do grupo, que é um dos mais aplicados herdeiros do Velvet Underground no que este trazia de vocais interiorizados e acordes hipnóticos. ‘‘Dear Diary’’, a faixa de abertura, é o mais perfeito cartão de apresentação do repertório: melódica, assobiável e com ‘‘pá, pá, pás’’ deliciosos nos backings.
O disco traz uma versão do hit ‘‘Sweet Child O’Mine’’ do Guns N’Roses e outra de ‘‘Neon Ligths’’ do Kraftwerk. Antes de montar o Luna, Dean Wareham foi um dos fundadores do Galaxie 500, grupo extinto em 1991 e cujos discos são caçados como diamantes preciosos pelos seguidores. O cara virou uma espécie precoce de lenda viva na cena, assim como Jon Spencer, que à frente da banda Blues Explosion também tem um disco lançado por aqui nesta temporada.
O nome do CD é ‘‘Acme-Plus’’ (Roadrunner). Traz 19 faixas, entre as quais três remixes, onde o rhythm and blues sujão e as guitarradas ásperas obrigam o ouvinte sensível de primeira viagem a correr atrás dos sete discos anteriores da banda. O mesmo não se pode dizer de ‘‘Ride The Tiger’’ (Trama), do Chavez, que soa como uma espécie de Dinosaur Jr menos tosco.
De qualquer modo, a imprensa americana exaltou o grupo apontando-o como um dos principais representantes do math-rock – uma variação do indie-rock só que mais denso e complexo. Agora, estimulante mesmo é o CD ‘‘Set and Setting’’ (Trama), novo trabalho do desconhecido octeto Bardo Pond, da Filadélfia. Guitarras reverberantes, vocal feminino afogado nas microfonias e canções de andamento arrastado promovem aqui o encontro do psicodelismo sessentista (homenageado particularmente na faixa ‘‘Datura’’) com o experimentalismo ruidoso de bandas como Sonic Youth e Mogwai.
Também desconhecido, o Grandaddy chega ao país através de seu segundo álbum ‘‘The Sophtware Slump’’ (Roadrunner). Apesar de ser saudado na revista Showbizz como ‘‘um dos melhores tratados sonoros para a virada do milênio’’, o disco parece apenas emular o melodismo melancólico e os arranjos preciosistas que tantos elogios renderam recentemente às bandas Mercury Rev e Flaming Lips pelos respectivos álbuns ‘‘Deserter’s Songs’’ (1998) e ‘‘The Soft Bulletin’’ (1999) – estes, sim, duas obras-primas do rock alternativo americano.

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