ROCK ALTERNATIVO AMERICANO
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de novembro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
O Sonic Youth veio, abalou e arrebanhou novos fãs. O Weezer voltou a fazer shows e anunciou que vai entrar no estúdio mês que vem para gravar o terceiro álbum. No reino das guitarras alternativas americanas, a temporada é das mais empolgantes, a ponto das lojas brasileiras se verem inundadas por uma avalanche de lançamentos.
Um dos destaques é o The Days of Our Nights (Trama), da banda Luna, comandada pela figurinha carimbada Dean Wareham. É o quinto disco do grupo, que é um dos mais aplicados herdeiros do Velvet Underground no que este trazia de vocais interiorizados e acordes hipnóticos. Dear Diary, a faixa de abertura, é o mais perfeito cartão de apresentação do repertório: melódica, assobiável e com pá, pá, pás deliciosos nos backings.
O disco traz uma versão do hit Sweet Child OMine do Guns NRoses e outra de Neon Ligths do Kraftwerk. Antes de montar o Luna, Dean Wareham foi um dos fundadores do Galaxie 500, grupo extinto em 1991 e cujos discos são caçados como diamantes preciosos pelos seguidores. O cara virou uma espécie precoce de lenda viva na cena, assim como Jon Spencer, que à frente da banda Blues Explosion também tem um disco lançado por aqui nesta temporada.
O nome do CD é Acme-Plus (Roadrunner). Traz 19 faixas, entre as quais três remixes, onde o rhythm and blues sujão e as guitarradas ásperas obrigam o ouvinte sensível de primeira viagem a correr atrás dos sete discos anteriores da banda. O mesmo não se pode dizer de Ride The Tiger (Trama), do Chavez, que soa como uma espécie de Dinosaur Jr menos tosco.
De qualquer modo, a imprensa americana exaltou o grupo apontando-o como um dos principais representantes do math-rock uma variação do indie-rock só que mais denso e complexo. Agora, estimulante mesmo é o CD Set and Setting (Trama), novo trabalho do desconhecido octeto Bardo Pond, da Filadélfia. Guitarras reverberantes, vocal feminino afogado nas microfonias e canções de andamento arrastado promovem aqui o encontro do psicodelismo sessentista (homenageado particularmente na faixa Datura) com o experimentalismo ruidoso de bandas como Sonic Youth e Mogwai.
Também desconhecido, o Grandaddy chega ao país através de seu segundo álbum The Sophtware Slump (Roadrunner). Apesar de ser saudado na revista Showbizz como um dos melhores tratados sonoros para a virada do milênio, o disco parece apenas emular o melodismo melancólico e os arranjos preciosistas que tantos elogios renderam recentemente às bandas Mercury Rev e Flaming Lips pelos respectivos álbuns Deserters Songs (1998) e The Soft Bulletin (1999) estes, sim, duas obras-primas do rock alternativo americano.


