Roberto Carlos fala de sua BIOGRAFIA
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quinta-feira, 24 de maio de 2007
Jotabê Medeiros<br> Agência Estado 
Miami - Ao vencedor, as batatas. Quentes. Roberto Carlos venceu a parada, ao levar a melhor na Justiça e conseguir o recolhimento de sua biografia não-autorizada, ''Roberto Carlos em Detalhes'' (Editora Planeta), de Paulo César Araújo. Mas o cantor sabe que agora tem um desafio duplo pela frente: sair da pele de vilão em que se enfiou (grande parte da intelectualidade brasileira condenou publicamente seu gesto, gente como o escritor Paulo Coelho e o cantor Caetano Veloso) e, ao mesmo tempo, dar um fim ao lote de 11 mil livros que amealhou e guarda num galpão em São Bernardo do Campo (SP).
Roberto parece saborear uma vitória amarga, embora se escore na legalidade de seu ato para rebater as críticas, como as de Paulo Coelho, que disse que o autor teve uma ''atitude infantil'' ao processar seu biógrafo. ''Eu acho que foi feito tudo nos princípios da lei, daquilo que a Constituição diz, aquilo que a lei me dá direito, a mim e ao cidadão brasileiro. Antes de fazer qualquer coisa, antes de tomar qualquer atitude, consultei que direitos eu tinha para tomar a decisão que tomei. E a conclusão, através dos meus advogados, é que eu tenho direito, como todo cidadão tem direito, de proteger sua privacidade. E foi isso que nós fizemos. De acordo com a lei e com o que a Constituição diz'', respondeu Roberto Carlos.
Roberto chegou no último fim de semana a Miami, para o que será o seu primeiro show nos Estados Unidos em quase dez anos. Os cerca de 5 mil ingressos postos à venda para os dois concertos, na última quarta e quinta-feiras, no Carnival Center, foram vendidos em pouco mais de 24 horas.
Sua entrevista coletiva, num hotel de Miami, foi concorrida: muitas TVs e jornais que destacam o mundo das celebridades hispânicas, como Escándalo e Paparazzi TV; executivos da gravadora; o staff inteiro do cantor; e até o antigo ''Casal Telejornal'' da TV Globo, Eliakim Araújo e Leila Cordeiro, estavam lá. ''Lembra de mim? Pois é, a última vez que a gente conversou foi em 1998'', anunciou-se Leila Cordeiro, que se disse representante dos brasileiros.
O cantor falou também, com grande desenvoltura (quase sempre em espanhol), sobre seus problemas com obsessões compulsivas, o fato de vestir sempre azul, de não cantar jamais determinadas canções. ''Eu queria que fossem realmente manias, porque seria muito mais fácil. Pensei durante muitos anos que fosse muito supersticioso. Depois que me inteirei do que realmente tinha, que é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), cheguei à conclusão de que não sou tão supersticioso. O TOC é que é muito grande. Superstição é uma coisa muito tranquila'', disse.
Ele descartou completamente a possibilidade de autorizar uma nova edição de ''Roberto Carlos em Detalhes'' sem as partes que o incomodaram, que se recusa a apontar - diz que se trata apenas de ''invasão de privacidade''. Segundo Roberto, se ele apontasse os trechos do livro que contém incorreções de informação, aí, sim, estaria cometendo um ato de censura. ''Se eu disser 'isso pode, isso não pode', aí é realmente censura. Já propuseram isso, e não aceitei'', afirmou. ''O livro não saiu de circulação por uma ação policial, mas por um acordo entre as partes. Nada foi imposto. Eu estava dentro dos meus direitos'', afirmou.
E voltou a dizer que sua biografia oficial será a única que poderá ser escrita a respeito de sua vida, mas que não tem prazo nem previsão de concluí-la - para a tarefa, a que diz se dedicar há 15 anos, o cantor tem a ajuda do jornalista Okky de Souza. ''As coisas que vivi, ninguém pode saber melhor que eu, porque eu as vivi'', disse.
Roberto repetiu como um mantra sua obstinação em defender sua privacidade, falando várias vezes em Constituição. ''A Constituição brasileira diz que existe uma diferença entre a liberdade de expressão e a proteção à privacidade. A informação tem valor enquanto é de interesse da nação. Desde que não haja um interesse, prevalece a proteção à privacidade. Quando pensei em tirar esse livro de circulação, a primeira coisa que fiz foi procurar saber que direitos eu tinha dentro da Constituição. Somente então decidi entrar com a ação.''
Na volta ao Brasil, Roberto fará shows de 28 a 30 de junho, no Citibank Hall, no Rio.


