Um disco natalino de Robertinho de Recife? Apesar de surpreendente e original, a ideia que se concretiza agora no álbum “Rapsódia de Natal” é profundamente coerente com a relação do músico com a data. Lançar-se nessas canções, para ele, é visitar um território pessoal. O guitarrista que atravessou frevo, metal, música infantil, pop eletrônico, Jovem Guarda, psicodelia recifense e o circuito dos grandes estúdios brasileiros mergulha nesse repertório clássico não como exercício de estilo ou mera jogada comercial, mas como gesto espiritual.

- Natal pra mim é uma data muito importante - conta Robertinho - vários acontecimentos importantes na minha vida se deram no Natal. Foi durante o Natal que eu recebi um presente de Deus.

Robertinho explica que, após um grave acidente, ficou “dois anos sem tocar”, com a mão cheia de parafusos e placas de titânio, até que justamente num 25 de dezembro voltou a fazer música:

- No dia de Natal, eu só com dois dedos, voltei a tocar. Filmei isso e mandei pra minha família: “Ó, tô conseguindo tocar”. E é uma honra pra mim poder fazer um disco em que as músicas são todas direcionadas a Jesus.

É sobre esse eixo biográfico e íntimo marcado pela fé - um corpo que renasce no Natal - que “Rapsódia de Natal” se ergue. O disco, gravado apenas por Robertinho e seu filho, Rob Endraus, nasce de uma convivência criativa de 24 horas por dia.

Rob, vindo da música eletrônica, assume a produção e cria a moldura sintética onde a guitarra se move.

As canções escolhidas formam a espinha dorsal do cancioneiro natalino global. Escritas por compositores como Johann Sebastian Bach, Irving Berlin e Mendelssohn, elas ajudaram a moldar a sonoridade do Natal em diferentes séculos. As versões célebres que cada faixa carrega — de Bing Crosby a Elvis, de Nat King Cole a Frank Sinatra, dos Jackson 5 a Andrea Bocelli, de Mariah Carey a Celine Dion — formam a memória afetiva com a qual Robertinho e Rob dialogam.

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* Com assessoria.

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