Roberta Sá lança tributo a Roque Ferreira
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Quando, em 2005, a iniciante Roberta Sá telefonou para o consagrado Roque Ferreira pedindo músicas novas para o CD que estava gravando, que viria a ser o ótimo ''Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria'', ouviu a resposta: ''Manda seu outro CD pra eu ouvir!''. ''Na hora ele disse que era para poder conhecer meu estilo, mas depois me confessou que era pra ver se prestava mesmo'', brinca Roberta, que à época, tinha acabado de lançar o elogiado CD de estreia, Braseiro.
Passados cinco anos, a hoje aclamada cantora potiguar-carioca lança um CD-tributo ao compositor baiano, ''Quando o Canto é Reza'' (MPB Discos/Universal). Nele, imperam as personagens da cultura negra, sua indumentária e culinária, a fé religiosa, o mar, e também a dança e o amor.
As melodias do artista do Recôncavo ficaram nas mãos seguras do Trio Madeira Brasil, formado pelos virtuoses Marcello Gonçalves (violão de sete cordas), Zé Paulo Becker (violão e viola caipira) e Ronaldo do Bandolim. ''Queríamos muito fazer um disco juntos. O trio está na minha história desde o comecinho: com eles fiz meu primeiro show fora do Brasil'', conta Roberta, orgulhosa da boa companhia.
Ano passado, Roberta, Marcello e o documentarista Felipe Lacerda apanharam Roque em casa, em Salvador, e o levaram à sua cidadezinha, Nazaré das Farinhas, distante dali duas horas, e também a cidades vizinhas que serviram de berço ao seu samba-de-roda. As imagens gravadas deverão entrar num DVD. O contato se estreitou e Zé Paulo chegou a criar com Roque a bonita Zambiapungo.
Os dois violonistas fizeram os arranjos das faixas, em que aparecem também diversos instrumentos de percussão de Paulino Dias e Zero, de atabaques a pratos-faca. A intenção foi sofisticar as harmonias dos sambas-de-roda, que no CD estão, por vezes, travestidas de maxixe, choro, ciranda. Cada instrumentista tem seu momento. ''É como um time de futebol: cada hora é um que está solando'', diz Zé Paulo.
As faixas já haviam sido testadas pelo quarteto em janeiro, em série de shows no Centro Cultural Carioca, no Rio. Canções como Tô Fora (no CD, com Moyseis Marques), Cocada, Orixá De Frente e Chita Fina logo caíram no gosto dos fãs de Roberta, apesar das dificuldades com as palavras em línguas africanas - tantas que Roque teve de mandar um glossário para que ela as entendesse e internalizasse.
O lançamento será no Teatro Castro Alves, em Salvador, dia 27 de agosto.


