Robert Aldrich - A Antevisão da Anarquia
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sexta-feira, 31 de julho de 1998
Lélio Sotto Maior Junior Aldrich liberou todo um arsenal de efeitos e truques 
Ninguém nos anos 50 em Hollywood ousou fazer filmes tão chocantes e mórbidos, aterradores e macabros quanto o mais legítimo representante do Grand Guignol francês no cinema americano, Robert Aldrich, precursor de Polanski e de toda uma geração de cineastas henri-george clouzotianos como Brian de Palma e Robert Altman.
Ao se assistir Morte sem Glória ou A Grande Chantagem não fica nada assustador que o cinema americano tenha feito posteriormente filmes como O Fantasma do Paraíso ou 3 Mulheres, porque Aldrich, nos anos 50 e início dos 60, liberou todo um arsenal de efeitos e truques-de-choque que viriam a ser utilizados mais tarde por Altman e De Palma em seus exercícios de terror e humor (ou black-humor).
Nada mais anos 80 do que O Que Teria Acontecido à Baby Jane?, crônica surrealista do mundo do show-business com muitos pontos de contato com O Fantasma do Paraíso e Nashville, na sua ácida crítica do mundo do espetáculo norte-americano.
Quando Aldrich fez 4 do Texas, deixou aberta toda uma faixa para o aparecimento de comédias como M.A.S.H. ou Búfalo Bill e os Índios, ambos de Altman e vinculados à uma sátira aldrichiana do universo de Hollywood com sua galeria de heróis e mitos do Velho Oste (Cf. Vera Cruz).
Se hoje em dia Altman pode fazer um filme brechtiano como Popeye, é porque Aldrich já tinha feito coisas desse gênero no cinema americano dos anos 60.
Daí a importância desse cineasta não necessariamente como produtor de obras-primas, mas como iniciador de todo um processo de crítica e auto-crítica de Hollywood, que culminou no seu estranho A Lenda e Lylan Clare, realizado no final dos anos 60.
Aldrich parece mais habilitado para inaugurar vias ou vertentes do que necessariamente para consolidá-las, apesar de existência, dentro da filmografia do diretor, de filmes bem acabados e consumados como produtos artísticos como O Último Pôr do Sol e O Vôo do Phênix, ambos dirigidos ao grande público americano, antes de tudo.
Com Os 12 Condenados, a carreira do diretor chegou a um impasse, pois ele não conseguia mais inovar ou reformular o se abecedário particular, culminando nos inconsistentes, mas ainda assim interessantes, O Imperador do Norte, Golpe Baixo e Crime e Paixão. Com O Último Brilho do Crespúsculo e Garotas Duras de Queda, se consolidou definitivamente a modernidade já agora estranhamente Robert Altmaniana do cineasta, como se de mestre, o cineasta tivesse acabado discípulo do discípulo, numa estranha metamorfose ou simbiose artística.


