Rizek decifra 'A Festa de Babette'
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de julho de 2001
Francelino FrançaDe Londrina 
O 21º Festival de Música de Londrina abre espaço para o cinema. A Festa de Babette, um maravilhoso banquete de emoções dirigido por Gabriel Axel, será analisado pelo professor Ricardo Rizek, docente de harmonia superior e musicologia. Ele também coordena grupos de estudos de pesquisa em estética musical.
As análises performáticas de filmes realizadas por Rizek têm reunido um público diversificado e superlativo em São Paulo. Ele cita Coração Satânico (Alan Parker); O Sacrifício (Andrei Tarkovsky); A Bela e a Fera (Jean Cocteau); e Um Simples Formalidade (Guiseppe Tornatore) entre os 40 filmes já analisados publicamente. Sobre a metodologia, Ricardo Rizek analisa simultaneamente com a exibição do filme, a música, a direção de atores, a cenografia, a fotografia, mas principalmente, as metáforas e analogias que não estão aparentes. Em São Paulo, a maratona cinematográfica promovida pelo professor costuma durar um mês para cada filme.
Em função do tempo diminuto, Rizek faz em Londrina uma análise econômica. Nesse filme, mostra-se de que forma uma intervenção estética e artística prazerosa pode provocar ruídos na vida da comunidade. O filme enfatiza a ritualização do cotidiano, resume. Um general fica com a incumbência de decodificar para a pequena comunidade nórdica o significado do banquete apresentado no filme. Três personagens intervêm no cotidiano imutável de Jutland: um militar, um músico e a cozinheira. A Festa de Babette, segundo observação de Rizek, congrega todos os sentidos.
A Festa de Babette mostra como um artesanato dedicado ao outro e à comunidade pode transformá-la, levando à excelência o significado de irmandade e amor, destaca Ricardo Rizek. Musicalmente, a obra-prima cinematográfica apresenta temas da comunidade luterana e faz uma transfiguração desses temas pulverizados na trilha sonora. O professor traça um paralelo entre música e filme, ressaltando a periodicidade dessas duas artes temporais. A recorrência de elementos é uma constante tanto na música, quanto nos filmes. Para referendar esse argumento, no filme, o músico Achille Papin, que apresenta por carta Babette às irmãs solteironas, reaparece na última cena na lembrança da ex-chef francesa. Sabiamente, Babette rememora as palavras de Papin: Um artista nunca é pobre.


