Mariana - A determinação de Mariana em se auto-afirmar como monumento histórico acabou por fazer recrudescer uma certa rivalidade cultivada com a vizinha e mais famosa Ouro Preto. A divulgação recente de um relatório parcial do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) com os municípios de Minas que mais investiram na preservação do patrimônio, encabeçado por Mariana, causou desconforto entre as autoridades políticas da antiga Vila Rica. No ranking, Ouro Preto apareceu apenas em 12º lugar e de pronto a prefeitura questionou a pontuação recebida, reivindicando a disputa pelo primeiro lugar.
O levantamento do Iepha leva em conta os investimentos das administrações na preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural das cidades. E serve de base para o repasse do ICMS Cultural, que corresponde a 1% da arrecadação total do imposto destinada aos municípios - cerca de R$ 50 milhões ao ano. Quanto mais investimentos, maior será a fatia de repasse. Dos 853 municípios, 663 se inscreveram para dividir o bolo do ICMS Cultural.
''Para Ouro Preto, não é muito legal ver a sua cidade numa condição inferior às cidades que não são monumento mundial'', alfinetou o prefeito de Mariana, Celso Cota. Ele acredita no engajamento da população local para a conquista do título da Unesco, ao contrário do que ocorreu com Ouro Preto em 1980. Na época, diante da inquestionável importância do conjunto barroco, o reconhecimento foi alcançado sem que fosse necessária uma mobilização popular, como ocorreu em Diamantina. ''Em Mariana, estamos buscando o mesmo modelo de Diamantina'', disse Cota.
Mas para o entalhador José Geraldo Gamarano, 54 anos, que passou a adolescência guiando turistas entre os monumentos da cidade, a campanha deve ficar mesmo restrita às autoridades, ao meio cultural e a uma pequena parcela da população. ''A grande maioria não tem essa sensibilidade artística'', destaca Gamarano.
Recém-nomeado arcebispo da cidade mineira, d. Geraldo Lyrio Rocha, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), se entusiasma com a idéia. ''Essa pretensão é mais do que justa'', disse. ''Grande parte da memória de Minas se concentra em Mariana. A primeira vila, a primeira cidade, o berço do Estado''. (Agência Estado)

mockup