Um fragmento do Japão foi detalhadamente reconstruído na 39ª Exposição Agrícola, nas dependências da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), com a demonstração para o público da tradicional Cerimônia do Chá. Uma típica sala de chá japonesa, em tamanho oficial, com oito tatamis, se tornou uma das atrações da Exposição. Os interessados poderão participar de uma demonstração hoje, a partir das 11 horas. Cada sessão dura cerca de 20 minutos e é gratuita.
A distinta arte da Cerimônia do Chá é uma forma de autodisciplina, segundo informa Toshiko Ogatta, uma das responsáveis pelo ambiente. Ela recomenda o ritual como forma de se libertar do stress. Os movimentos lentos propiciam ao participante apreciar todos os elementos que compõem o cerimonial. Primeiramente é servido um doce, para quebrar o sabor amargo do chá verde.
No Japão, como explica Toshiko Ogatta, as pessoas ao serem convidadas para a Cerimônia do Chá costumam comparecer com antecedência. Serenamente, aguardam em uma pequena sala o início do ritual, desfrutando da companhia uma das outras e desligando-se das atribulações do cotidiano. O anfitrião atenciosamente acende o fogo para ferver a água do chá e oferta uma pequena refeição caprichosamente escolhida. A intenção é tornar a reunião muito agradável.
Dorico da SilvaCerimônia é embasada em conceitos como harmonia, respeito e paz de espíritoEsse encontro representa a manifestação de uma sensibilidade que se adquire por intermédio do estudo e da disciplina do Chado (pronuncia-se Tchadô), o caminho do chá. O chá verde em pó servido no ritual foi inicialmente introduzido no Japão por monges Zen no século 12. Nessa época, o chá era utilizado como um suave estimulante, que favorecia o estudo e a meditação, além de ser usado como erva medicinal.
Mestres do chá desenvolveram uma estética que se agregou à cultura japonesa, incluindo as regras para preparar, servir o chá e a manufatura dos utensílios do cerimonial. Além disso, esses antigos mestres incluíram no ritual o conhecimento das belas artes e das artes aplicadas, o desenho e a construção das salas de chá, a arquitetura dos jardins e a literatura. No século 16, o mestre Sen Rikyu instituiu o Chado como um meio de transformar a própria vida em obra de arte. Todos os princípios básicos do Chado podem ser resumidos em harmonia, respeito, pureza e paz de espírito.

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