Rituais de passagem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de dezembro de 1998
Érika Pelegrino 
Flores para Iemanjá, orações, muita cor clara, segundos de isolamento para agradecimentos, música, champanhe...Passagem de ano dificilmente fica em branco. As pessoas depositam nos segundos de transição que marcam a chegada de um novo tempo suas expectativas para uma vida melhor. Cada um escolhe uma forma de aproveitar o nascimento de um novo ano para também, pelos menos simbolicamente, começar uma nova vida.
Arquivo FolhaYara Ramos: anjos e segredosQuando se trata do último ano do milênio a ansiedade parece maior. A artista plástica Letícia Faria, por exemplo, sempre se reúne com a família e com amigos e nos primeiros minutos do novo ano cantam a tradicional música de despedida e saudação: Adeus ano velho/feliz ano novo/ que tudo se realize no ano que vai nascer/ Muito dinheiro no bolso/ saúde pra dar e vender. Letícia afirma que não se trata de simpatia. É apenas uma forma positiva de saudar o novo ano e despedir-se daquele passou.
Os místicos preferem rituais mais reservados. A astróloga londrinense Yara Ramos acredita que os magos têm seus segredos, e em função disto não pode revelar o que faz na passagem de ano. Mas ela dá a sua dica: em um lugar agradável, ao ar livre e sozinha, a pessoa deve, nos últimos segundos de 1998, abrir um champanhe e espalhar no local, oferecendo ao anjo regente do ano que passou. Durante o ritual a pessoa deve pedir ao anjo que prenda no passado tudo de negativo que aconteceu. As coisa negativas devem ficar no passado, não podem passar para o ano que começa, diz a astróloga. Para terminar a pessoa deve agradecer tudo de bom que aconteceu.
Arquivo FolhaCarlos Gaertner: música e magiaJá o artista plástico Henrique Aragão, de Ibiporã, não participa de nenhum ritual especial. Sempre tive uma vida muito ligada ao natural e ao divino, por isso mesmo não há espaço para simpatias, diz. Segundo ele, a única simpatia desta data é o amor que une as pessoas que participam da ceia. Só a família e amigos muito íntimos.
Para o músico Carlos Gaertner, de Curitiba, a música é fundamental na passagem de ano. Quando o ano começa com música, você já entra no campo da magia e o ano começa mágico, afirma. Para a entrada do último ano do século e do milênio o ideal para ele é ouvir Jimi Hendrix.
Arquivo FolhaBerenice Mendes: branco e roupa nova1998/1999A cineasta Berenice Mendes, também de Curitiba, prefere o tradicional. Todo último dia do ano ela se veste de branco e com pelo menos uma peça nova. O branco é para atrair o alto astral, energias positivas e a paz, explica. A peça nova simboliza o nascimento do novo ou o renascimento.


