Ritos de passagem
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terça-feira, 18 de junho de 2013
Amanda Rolim<br>TV Press 
Mesmo sendo um meio altamente fechado e competitivo, atores estreantes são comuns no universo da teledramaturgia. Entretanto, alguns entram para a televisão com uma responsabilidade maior que a maioria: a de sustentar um papel de destaque. Em geral, isso acontece quando existe a necessidade de encontrar alguém que, mesmo sem experiência, se enquadre em um certo tipo de perfil exigido para o personagem. Ou quando o artista começa a ter seu trabalho reconhecido por diretores e autores em outras plataformas, como o teatro e o cinema, e por isso é convidado para suas respectivas produções televisivas.
Esse é o caso, por exemplo, do ator Igor Rickli. Atualmente no ar em "Flor do Caribe", no papel do antagonista da trama, ele já era conhecido por estrelar inúmeros musicais. "As pessoas criticam o fato de a tevê repetir sempre o mesmo elenco, assim como criticam a aposta em um novo nome. Estou satisfeito com a escolha do Igor. É legal dar esse frescor ao horário e a faixa das seis nos permite essa ousadia", acredita Jayme Monjardim, diretor de núcleo de "Flor do Caribe".
Como é reservada para tramas mais leves, a faixa das seis realmente permite que se aposte em rostos desconhecidos do público. Exemplos disso foram os remakes das novelas "Cabocla", em 2004, e "Sinhá Moça", em 2006, sendo as duas tramas de Benedito Ruy Barbosa, adaptadas por suas filhas Edmara e Edilene Barbosa.
Na primeira, era necessário encontrar uma atriz que se encaixasse com a descrição física da protagonista, uma busca bem especifica. Após realizarem testes com atrizes iniciantes, Vanessa Giácomo foi escolhida para o papel principal da cabocla Zuca. "Fui chamada para o teste da novela por causa do meu biotipo. Até tinham algumas atrizes conhecidas, mas havia o interesse em revelar uma nova atriz. E ali veio minha grande chance", relembra Vanessa.
Já em "Sinhá Moça", foi a vez de Isis Valverde ser lançada. A atriz não assumiu o posto de protagonista do folhetim, mas foi chamada para interpretar a Ana do Véu, um dos papéis principais da história. "Na verdade, eu fiz um teste para uma participação como modelo em 'Belíssima' e, como estava muito nervosa, não passei. Mas acabei sendo chamada para dar vida a Ana do Véu", conta.
Mas a questão do horário não é uma regra. Um dos nomes mais conhecidos da teledramaturgia atual, Reynaldo Gianecchini, estreou como protagonista na televisão em "Laços de Família", trama das nove assinada por Manoel Carlos. Ele deu a vida a Eduardo, um jovem médico recém-formado que se envolvia em um triângulo amoroso com Helena, de Vera Fischer, e sua filha Camila, interpretada por Carolina Dieckmann. "Geralmente as pessoas começam em uma produção menor como 'Malhação' ou em uma novela que não tem tanta repercussão. Mas aos poucos eu comecei a ter mais domínio sobre a coisa e fui descobrindo os meus recursos", analisa Gianecchini.
Acostumada a dar destaque a artistas já conhecidos, em geral, provenientes das emissoras concorrentes, recentemente a Record teve de recorrer ao uso de talentos desconhecidos. Isso porque precisava de seis jovens para protagonizar a adaptação nacional do fenômeno "Rebelde". Depois de uma série de testes, Arthur Aguiar, Mel Fronckowiak e Chay Suede, que até então só tinham feito participações em outras produções, foram escolhidos para encarnar três dos papéis principais. "Foi um processo complicado e atípico. A gente tinha de encontrar seis pessoas que pudessem atuar, cantar e dançar. Acho que fizemos as escolhas certas, porque, mesmo com fim da produção, todos eles conseguiram se manter em destaque, seja na Record ou em outras emissoras", acredita Ivan Zettel, diretor da novela teen.
Já o SBT se encontrou em uma situação similar à Record quando decidiu investir em dramaturgia infantil. Ao adaptar o folhetim "Carrossel", a emissora precisou encontrar diversos atores mirins para interpretar os personagens principais da trama. Entre os escolhidos, Jean Paulo Campos foi um dos que mais se destacou. Com apenas duas participações especiais no currículo, nas novelas "Corações Feridos" e "Amor e Revolução", ambas da própria emissora, ele conseguiu o papel do ingênuo Cirilo. "Apesar de entrarem com pouca experiência, todos estão preparados para seguir em frente na profissão. O Jean, por exemplo, já foi contratado pelo SBT para outros trabalhos", destaca Reynaldo Boury, diretor do folhetim.
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