O porte ‘mignon’ e os traços joviais de Cacau Melo lhe destinaram papéis de meninas românticas e mais novas ao longo de sua carreira. Mas, aos 30 anos, a atriz se prepara para aparecer na pele de uma personagem mais mulher e madura pela primeira vez. No especial de fim de ano "Marluce e Marcelly", previsto para ir ao ar em dezembro na Record, ela interpreta Trude, uma jornalista que se dedica ao máximo para conseguir uma boa reportagem. "Chega uma hora na vida do ator e da atriz em que eles não são mais o mocinho e a mocinha, são pai e mãe. Acho que ainda não cheguei nessa fase, mas essa possibilidade de fazer uma personagem mais velha, com outro tom, denota um novo caminho", avalia, satisfeita.
Na história escrita por Carla Piske, Marluce, interpretada por Angelina Muniz, está à procura de sua filha, Marcelly, papel de Laís Said. Desde que a jovem foi trabalhar como modelo, as duas perderam o contato. Enquanto busca um provável personagem para uma matéria, Trude quase provoca um acidente com Marluce.
Na tentativa de reparar a situação, a jornalista começa a conversar com a mulher e descobre que ela é uma ambulante que está em busca da filha. "Trude se compadece com a história, mas também vê a possibilidade de uma matéria interessante. O jornal acaba topando e essa pauta se torna o foco dela", adianta.
Assim que soube que viveria uma jornalista, o primeiro impulso de Cacau foi procurar a irmã, que compartilha da mesma profissão de sua personagem. Depois de colher informações sobre a rotina de quem trabalha nesse meio, a atriz assistiu a alguns programas jornalísticos que considerou interessantes para sua composição. Entre eles, "Cidade Alerta", "Brasil Urgente" e, principalmente, "Profissão Repórter". "Acho incrível como Caco Barcellos e sua equipe vão atrás das pautas, como lidam com as circunstâncias e como conseguem mostrar ao público a matéria do lado do avesso", opina.
Além do estudo por conta própria, Cacau participou de dois encontros com o elenco, formado também por Paulo Nigro, William Vita, Dedina Bernadelli e Camilo Bevilacqua, entre outros. O primeiro foi separado por núcleo e o segundo reuniu todos os atores para uma leitura. "Foi muito bacana para a gente poder se olhar e saber quem ia fazer o quê".
O processo de gravação foi quase tão rápido como o de preparação. Em apenas seis dias, o especial, uma coprodução entre Record e Gullane, foi completamente captado. Só que tudo isso aconteceu em maio e, até que a produção vá ao ar, Cacau precisa controlar sua ansiedade em conferir o resultado final.
O pouco que viu foi no monitor do diretor Johnny Araújo ainda no set. "Ele falou para mim que estava preocupado com essa correria, mas que tinha terminado de montar e estava muito legal. Isso me deixou tranquila, mas óbvio que estou ansiosa", reforça ela, que torce para que o especial se estabeleça na grade de 2015 como seriado. Mas a direção da Record ainda não "bateu o martelo" para essa possibilidade. "A autora escreveu uns cinco ou seis episódios e apresentou à emissora. Mas, até onde eu sei, ainda não tivemos um retorno", conta.
Na Record há quase cinco anos, Cacau atuou muito mais em projetos curtos, como especiais e minisséries, do que em novelas. E não esconde que sente falta de voltar a integrar o elenco de um folhetim. "A rotina de uma novela é uma delícia. Não é fácil, tem seus altos e baixos, suas dificuldades, mas acho que está na hora de eu me envolver com uma coisa mais a fundo", acredita ela, que fez teste para "Moisés e Os Dez Mandamentos", próxima trama da emissora.

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