Depois da apresentação em Londrina, no dia 15 de agosto, do grupo Wadaiko Sho, os taikôs ou ''grandes tambores'', instrumentos de percussão típicos do Japão, deixaram lembranças de virtuosismo e beleza plástica. Quem não viu e ficou curioso, vai ter a oportunidade de avaliar a força e a graça exigidas pelo instrumento e o resultado cheio de sonora energia que essa combinação traz quando a Primavera chegar. Nos dias 20 e 21 de setembro, para comemorar seus 15 anos de existência, o Grupo Sansey Cultural e Beneficente estará promovendo na Praça Nishinomiya (bairro Aeroporto) o ''Londrina Matsuri'', um festival popular, considerado o carnaval dos japoneses. O Matsuri que ocorre todos os verões em Hiratzuka, por exemplo, costuma atrair cerca de 3 milhões de pessoas à cidade, o que significa multiplicar por doze seu número fixo de habitantes. Lá no Japão, como aqui, no Brasil, o evento não dispensa a batida dos taikôs. No Londrina Matsuri, os taikôs virão associados a um recurso sonoro bem brasileiro, o trio elétrico, que vai tocar músicas tradicionais e modernas japonesas, além de ''hits'' nacionais e internacionais, propondo-se, assim, a interagir com o público por meio da dança.
O grupo londrinense de taikô, formado por 9 integrantes, moças e rapazes, com idades que variam de 17 a 26 anos, foi criado há 2 anos dentro do Grupo Sansey. A idéia, de acordo com os princípios que norteiam o Grupo, é preservar as tradições japonesas e, ao mesmo tempo, integrá-las à cultura brasileira. Como diz Mirian Mitiko Takemura Shiroma ou Mity, como é mais conhecida a presidente do Grupo Sansey, ''queremos divulgar nossa cultura e aprender com as outras''.
O começo do grupo de taikô não foi fácil, de acordo com André Matsumoto, 23 anos, e Thiago Kimura, 21, dois de seus integrantes. ''Tivemos de ir por algum tempo até Assaí, que conta com um grupo de taikô, para aprender com eles'', revelam. Os 6 taikôs que hoje mantém, de tamanhos variados e custo em torno de R$ 600,00 a R$ 1.200,00 a unidade, foram adquiridos em 2002, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). No ano seguinte, foi a vez de Setsuo Kinoshita, o paulistano que formou o Wadako Sho, ser convidado a ministrar um workshop para o grupo em Londrina. Com o Matsuri que vem por aí e querendo se apresentar em sua melhor forma, o grupo se preocupa com o condicionamento físico necessário para dar conta das batidas no taikô. ''Aguentamos tocar por umas duas horas seguidas'', comenta André, ''aí chegamos ao limite''.
Mas alguns intervalos para recuperação de fôlego serão possíveis para os jovens taikouchis (tocadores de taikô), já que o Londrina Matsuri terá também, além de música instrumental e do ''odori moderno, a dança folclórica japonesa adaptada ao estilo brasileiro'', que a acompanha, inúmeras outras atrações, inclusive gastronômicas. A expectativa de Mity é de que o Matsuri local consiga ''atrair um público de 30 mil pessoas em seus dois dias de duração'' e que venha a ser incluído no calendário oficial de eventos da cidade, celebrando, assim, com a batida dos taikôs, uma musical integração de culturas.

Serviço: Mais informações sobre participação no grupo e aulas de taikô: Centro Cultural Grupo Sansey. Av. José de Alencar, 156 (Jardim Shangrilá / Londrina).
Fone/Fax: (43) 3348-5145.

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