São Paulo - ''Isso não é rap/ Isso não é samba/ Essa mania/ Vem de Luanda''. Foi com esses versos que a banda Fantasmão anunciou, em 2009, que o ritmo de Angola, na África, havia chegado para ficar -a música ''Kuduro'' virou o grande hit do Carnaval de Salvador naquele ano. De lá para cá, o movimento, que nasceu na periferia de Luanda de forma semelhante ao funk carioca no Brasil, começou a fazer sucesso nas pistas das casas noturnas do país e do resto do mundo.
Por aqui, já conquistou adeptos como Claudia Leitte e Calypso. O cantor Latino gravou, em parceria com o MC Daddy Kall, ''Dança Kuduro'', versão da música do cantor porto-riquenho Don Omar.
''O kuduro é um gênero dançante que nasceu em Angola nos anos 1980. Tem tudo a ver com a nossa brasilidade. Percebi que ia estourar em nossa pistas'', diz Latino.
A dupla João Neto & Frederico também resolveu apostar no estilo, com a canção ''Vai Ter Balanga''. ''Descobrimos o kuduro no YouTube e resolvemos misturar com o sertanejo. Gravamos com sanfona, teclado e metais, ficou muito legal. Vamos levantar todo o mundo do sofá'', conta João Neto.
O som contagiante do kuduro tem como base a movimentação intensa dos quadris. ''O kuduro surgiu da dança. É derivado de ritmos tradicionais angolanos, como kizomba e semba. Depois de 2000, ganhou o mundo'', diz Felipe Braga, que desenvolve projetos relacionados à cultura angolana no Brasil. ''É um ritmo quente'', finaliza João Neto.
Ultrapassa nove dígitos o número de acessos no YouTube ao hit ''Danza Kuduro'', de Don Omar e Lucenzo, que ganhou uma versão nas vozes de Latino e Daddy Kall. A faixa concorre ao Grammy Latino 2011 de Melhor Canção Urbana. ''Daddy Kall descobriu essa música em Miami. Quando surgiu a ideia do clipe e ele me convidou, aceitei de cara!'', diz Latino. ''Como a versão original chegou ao topo do ranking Hot Latin Songs da Billboard, resolvemos apostar.''
De acordo com Felipe Braga, produtor cultural que desenvolve projetos relacionados à cultura angolana, a canção é coerente com o repertório de Latino. ''O trabalho dele tem forte influência dos hits que tocam nos EUA'', diz. Braga destaca ainda que o ritmo africano já havia estourado muito antes de Don Omar. O DJ angolano Dog Murras, que já esteve no Brasil, é um dos responsáveis pela divulgação do gênero pelo mundo.

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