Ritmo envolvente e intenso
Pelo menos uma vez por semana, o tango faz Maria Helena Oliveira Cardoso, de 61 anos, transformar-se de ''gata borraleira'' em ''Cinderela'', como ela mesma define. ''A gente passa a se preocupar mais com a gente, sai da acomodação. É uma atividade física e social. Você fica emocionalmente mais solta, mais alegre'', explica Maria Helena.
Ela e o marido Oglacir, de 62 anos, começaram a dançar no Sesc Água Verde em 2001. ''Começamos aprendendo tango cênico, no segundo ano de aula dançamos no palco da Ópera de Arame. Ficamos lá atrás, com vergonha. Mas foi muito bom para mim, desafiante'', lembra Maria Helena. Para aprofundar seu conhecimento sobre o ritmo, o casal esteve em Buenos Aires há pouco mais de um ano, e há três meses tem aulas com professor particular. ''Foi muito legal. Eles se sentem lisonjeados por saber que aqui tem bastante gente interessada pelo tango'', observa Oglacir.
O professor de Maria Helena e Oglacir, Carlos Augusto Lima Grispan, de 21 anos, tomou o primeiro contato com o tango em casa por conta da paixão dos pais pela música e dança. ''Antigamente as pessoas faziam aula mas não tinham onde dançar. Também havia aquela visão de estrangeiro de que é algo difícil, assim como quem não é brasileiro acha que só se pode dançar samba cheio de plumas'', compara.
O professor de dança de salão, Cláudio Soares de Oliveira Junior, de 31 anos, que também dá aula de tango aposta no crescente interesse pelo ritmo argentino, principalmente entre os jovens. ''É uma dança popular que todo mundo pode dançar. Lá você vê idosos e adolescentes dançando tranquilamente, é só caminhar'', defende. Para despertar o interesse pelo chamado novo tango, também conhecido como tango eletrônico, muito dançado pelos jovens em Buenos Aires, Junior está apresentando a novidade aos alunos aos poucos. ''De vez em quando coloco para ter visibilidade, para ver se ganha um pouco de força por aqui também'', afirma.
Aos 21 anos, Laísa Roberta de Souza é um exemplo de que o tango conquista em qualquer idade. Há oito meses morando em Buenos Aires para aprofundar seu conhecimento da dança local, Laísa começa este ano a cursar a faculdade de tango. ''Tinha algo que me chamava a atenção e eu não sabia o que era. Hoje sei que é a paixão. Sentia coisas dançando que não sentia em outros ritmos, é muito intenso'', revela.





